Angola vai enviar 20 jovens para formação em mecatrónica na China
Angola vai enviar cerca de 20 estudantes para a China nas próximas duas semanas, para receberem formação em mecatrónica e posteriormente transmitirem os conhecimentos adquiridos no país africano, revelou hoje à Lusa um governante angolano.
"Nas próximas duas semanas, devem estar a chegar perto de 20 estudantes angolanos que começaram o primeiro ano e meio em Angola, no CINFOTEC Huambo, e vão fazer dois anos aqui na China para poderem complementar a sua formação a nível da mecatrónica", afirmou Pedro José Filipe, secretário de Estado para o Trabalho e Segurança Social de Angola.
Em declarações à Lusa, à margem da Conferência Mundial sobre o Desenvolvimento do Ensino Profissional e Técnico, que decorre na cidade chinesa de Tianjin, o governante explicou que os jovens deverão depois contribuir para a formação de outros profissionais em Angola.
"São esses que depois deverão replicar a formação a nível nacional", sublinhou.
O programa resulta de um protocolo entre o Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional de Angola e uma instituição politécnica de Wenzhou, no leste da China, no âmbito da cooperação bilateral no ensino técnico-profissional.
Pedro José Filipe adiantou que está prevista para sábado uma visita à instituição chinesa, visando reforçar a parceria e permitir que mais jovens angolanos tenham acesso a formação especializada.
A iniciativa integra a estratégia de Angola para diversificar a economia e qualificar a mão-de-obra, num país onde, segundo o governante, mais de 60% da população tem menos de 30 anos.
"Angola tem esta grande ambição de diversificar a sua economia e de capacitar a sua juventude", afirmou.
A formação profissional assume particular importância num país fortemente dependente do petróleo, responsável por cerca de 95% das exportações, segundo o Banco Mundial.
A instituição financeira internacional tem defendido o reforço da formação profissional e uma maior articulação entre os cursos e as necessidades do mercado de trabalho, como forma de apoiar a diversificação económica e a criação de emprego.
A cooperação com a China inclui também a construção de uma rede de centros integrados de formação tecnológica, conhecidos pela sigla CINFOTEC, destinados a desenvolver competências técnicas em diferentes regiões de Angola.
Pedro José Filipe destacou os centros existentes em Luanda, nos municípios de Talatona e Rangel, e na província do Huambo, além de uma nova unidade em construção em Cabinda, no norte do país.
"Estamos agora a construir a unidade de Cabinda, que deverá ser inaugurada nos próximos três meses", revelou.
Segundo o secretário de Estado, a construção dos centros resulta de um acordo entre os governos de Angola e da China, cabendo a Pequim definir as entidades responsáveis pela execução dos projetos.
O centro do Huambo contou com a participação de uma instituição de ensino de Wenzhou, acrescentou.
Segundo o Governo Provincial do Huambo, o CINFOTEC local estabeleceu uma parceria com a Politécnica de Wenzhou e a empresa chinesa Yalong, no âmbito da criação de uma Academia da Rota da Seda.
O centro prevê formar mais de dois mil jovens em 2026, nomeadamente nas áreas da mecanização agrícola e da mecatrónica, segundo a mesma fonte.
"A cooperação com a China a nível da formação técnico-profissional para nós é uma grande prioridade", afirmou Pedro José Filipe, destacando que a parceria já apresenta resultados concretos.
Em março de 2025, o Banco Mundial aprovou um financiamento de 250 milhões de dólares (cerca de 222 milhões de euros) para um projeto destinado a melhorar as oportunidades de emprego de aproximadamente 500 mil jovens angolanos, através de formação, apoio ao empreendedorismo e integração no mercado de trabalho.
A conferência de Tianjin, que decorre até sábado, reúne representantes governamentais e instituições de ensino de vários países para debater a modernização da formação profissional e a cooperação internacional nesta área.