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Angola vai pedir pela terceira vez mais anos para se livrar de minas antipessoal

Angola vai pedir pela terceira vez mais anos para se livrar de minas antipessoal

Angola vai pedir, pela terceira vez, por mais cinco anos, a prorrogação do prazo para se livrar de minas antipessoal, como obriga o artigo 5.º da Convenção de Otawa, anunciou hoje o Governo angolano.

Lusa /

De acordo com uma nota do Ministério das Relações Exteriores de Angola, a Agência Nacional de Ação contra Minas (ANAM) vai apresentar o pedido formal durante a 22.ª reunião dos Estados-parte da Convenção, que se realiza entre 01 e 05 de dezembro, em Genebra, Suíça.

O país lusófono projetou o alargamento de 2026 a 2030, tendo em conta que o prazo vigente prescreve a 31 de dezembro deste ano.

Segundo o diretor-geral da ANAM, brigadeiro Leonardo Sapalo, o pedido está justificado com base num programa preestabelecido, que já foi apresentado em 28 de março deste ano e contou com a colaboração dos parceiros de Angola na luta contra as minas, designadamente a direção de engenharia e infraestruturas das Forças Armadas Angolanas (FAA), o centro nacional de desminagem, as Organizações Não-Governamentais APACOminas, Ajuda Popular da Noruega, APOPO, The HALO Trust, MAG, bem como a direção dos assuntos multilaterais do Ministério das Relações Exteriores.

Leonardo Sapalo realçou que no país existem 975 áreas minadas identificadas, o correspondente a 57.905.679 metros quadrados, com predominância para as províncias do Bié, Cuando, Cubango, Cuanza Sul, Moxico e Moxico Leste.

O responsável observou que as províncias de Luanda, Icolo e Bengo, Benguela, Huambo, Zaire, Namibe, Cuanza Norte, Uíje e Malanje têm contaminação reduzida, e estão perto de serem declaradas livres de áreas minadas conhecidas.

De acordo com Leonardo Sapalo, para a efetivação do presente pedido foi concebido um plano de trabalho, harmonizado com o Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN 2023-2027), bem como com o Plano Estratégico Nacional de Ação contra Minas (2026-2030) e o Plano de Ação de Siem Reap--Angkor (2025-2029).

"Estes planos dão-nos consistência para desminar todas as áreas constantes na base de dados nacional de ação contra minas, bem como as possíveis novas áreas e manter a segurança e a proteção das comunidades", disse o diretor-geral da ANAM, citado na nota.

Angola é signatária da Convenção de Ottawa, desde 1997, documento que ratificou em 05 de julho de 2002, entrando em vigor no território angolano a 01 de janeiro de 2003.

Inicialmente, Angola comprometeu-se a destruir ou assegurar a destruição de todas as minas antipessoal em áreas minadas sob sua jurisdição o mais rapidamente possível e o mais tardar até 31 de dezembro de 2012, destaca-se no comunicado.

A 30 de março de 2012, Angola apresentou o primeiro pedido de prorrogação do prazo, para um período de cinco anos (2013 a 2017).

No fim do primeiro período de prorrogação, o país lusófono apresentou um segundo pedido, com duração de oito anos, que foi aceite na 12.ª reunião dos Estados-partes, onde foi fixado um novo prazo, de 01 de janeiro de 2018 a 31 de dezembro de 2025.

"A escassos meses para o término do período, e por existir ainda um número significativo de áreas por desminar, Angola vê-se forçada a apresentar um terceiro pedido com duração de mais cinco anos, a contar de 01 de janeiro de 2026 a 31 de dezembro de 2030", assinala-se na nota.

Angola, que viveu uma guerra civil de quase três décadas, é um dos países do mundo com maior extensão territorial contaminada ainda por minas terrestres.

O Presidente angolano, João Lourenço, quer o país livre de minas até 2027 e anunciou em outubro de 2024 que vão ser investidos nos próximos dois anos cerca de 240 milhões de dólares (220 milhões de euros) no programa de desminagem.

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