Anticastrista desiste de asilo político e sai do país
O anticastrista Luis Posada Carriles, acusado por Cuba e Venezuela de actos terroristas, decidiu abandonar os Estados Unidos, interrompendo o processo de asilo político que tinha iniciado em Abril, afirmou hoje à EFE o seu advogado, Eduardo Soto.
"O meu cliente deixará o país devido às pressões que se geraram contra os Estados Unidos e o exílio cubano", informou Soto em declarações telefónicas, depois da publicação hoje de uma entrevista, feita em Miami, em que Posada Carriles se vangloriava de mover-se sem problemas na clandestinidade porque as autoridades norte-americanas não punham muito empenho em lograr a sua detenção.
A decisão de Posada Carriles, de 77 anos, foi conhecida no mesmo dia em que tinha agendada uma entrevista com as autoridades da Imigração no âmbito do seu pedido de asilo político, feito em Abril passado pelo seu advogado, numa altura em que a Venezuela reclamara aos Estados Unidos a sua detenção com o fim de ser extraditado.
"A reunião era às 07:00 (12.00 em Lisboa) e foi por nós suspensa", acrescentou o advogado de Posada Carriles, considerado um dos maiores inimigos do presidente Fidel Castro, que hoje encabeçou uma "marcha contra o terrorismo" frente à Secção de Interesses dos EUA em Havana.
A marcha foi convocada por Castro para exigir que julgassem Posada e Orlando Bosch, os quais acusa de acções terroristas contra a ilha e pela explosão de um avião cubano em 1976, quando sobrevoava Barbados, que causou 73 mortos, a maioria desportistas cubanos.
O anticastrista foi julgado em duas ocasiões e absolvido pelo caso na Venezuela, fugindo da prisão em 1985, enquanto aguardava a conclusão do recurso do ministério público.
Posada Carriles sempre negou a sua participação no atentado, voltando a reiterá-lo hoje na referida entrevista ao The Miami Herald.
"Acusaram-me de ter sido o autor intelectual, de fabricar uma arma de guerra e de traição à pátria. Ninguém me viu fabricar uma bomba", assegurou ao jornal.
Cuba também acusa Posada desse atentado e de planear o assassínio do presidente Fidel Castro durante a X Cimeira Iberoamericana no Panamá, em 2000, durante a qual foi detido e, posteriormente, processado por delitos menores.
Em Agosto do ano passado, a então presidente panamiana, Mireya Moscoso, colocou-o em liberdade e, desde aí, tem-se mantido em parte incerta.
A recente divulgação de documentos do FBI e da CIA que vinculam Posada com o atentado surgiam como um entrave à petição de asilo político nos Estados Unidos, porque as leis de imigração proíbem conceder esse benefício a um estrangeiro alvo de acusações.
A Venezuela solicitou formalmente na passada sexta-feira a prisão com fins de extradição de Posada Carriles, para que seja julgado pelo atentado contra o avião cubano.