Antigo oficial israelita quer que forças armadas fiquem em Gaza sem ajudar população
O antigo conselheiro de Segurança Nacional israelita Yaakov Amidror defendeu hoje que as forças armadas devem permanecer na Faixa de Gaza para eliminar qualquer ameaça do movimento islamita Hamas, mas sem ser responsável pela população palestiniana.
"No final da operação, que levará alguns meses para `limpar` Gaza - entre seis e 12 meses -, as Forças de Defesa de Israel (FDI) devem permanecer com liberdade de ação dentro da Faixa de Gaza", afirmou o major-general aposentado, durante um debate organizado pelo centro de estudos britânico The Henry Jackson Society.
Amidror vincou que "não importa quem controlará Gaza no dia seguinte", mas argumentou que "Israel não terá qualquer responsabilidade para fornecer água ou eletricidade à população", a qual considera que apoiou os ataques do Hamas em 07 de outubro.
No mesmo debate, intitulado "Atualização da Crise em Israel: O Futuro do Conflito contra o Hamas", Amjad Taha, diretor regional do Centro Britânico de Estudos e Investigação do Médio Oriente, sediado no Bahrein, alertou para a influência do regime iraniano através do Hamas.
"Se Israel vencer, teremos um representante do Irão eliminado", afirmou, identificando o movimento, considerado terrorista pela Estados Unidos e União Europeia, como um obstáculo ao processo de paz.
Segundo este defensor da normalização das relações entre Israel e países árabes, "a razão pela qual os palestinianos não estavam unificados em torno de um projeto de Estado palestiniano é porque eles estavam divididos" entre o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, e a Organização de Libertação da Palestina (OLP), que governa a Cisjordânia.
"Se a OLP puder controlar ambos os lados, isso significa que poderemos negociar [a criação do] Estado palestiniano e conseguir alcançá-lo", alegou.
O debate realizou-se um mês após o ataque surpresa lançado pelo Hamas contra Israel, em 07 de outubro, que fez mais de 1.400 mortos, na maioria civis, e cerca de 5.000 feridos, além dos mais de 200 reféns, de acordo com as autoridades israelitas.
A retaliação de Israel contra a Faixa de Gaza começou logo depois, com cortes do abastecimento de comida, água, eletricidade e combustível e bombardeamentos diários, seguidos de uma ofensiva terrestre que completou na quinta-feira passada o cerco à cidade de Gaza.
A guerra entre Israel e o Hamas já fez, na Faixa de Gaza, mais de 10.000 mortos, entre os quais mais de 4.000 crianças, mais de 25.400 feridos e cerca de 1,5 milhões de deslocados, segundo o mais recente balanço das autoridades locais, controladas pelo Hamas.