Antigo PR Chissano recorda Rosita como "símbolo poderoso" da resiliência moçambicana

O antigo Presidente de Moçambique Joaquim Chissano lamentou hoje a morte de Rosita Mabuiango, que nasceu em cima de uma árvore nas cheias de 2000, recordando-a como "símbolo poderoso" da resiliência dos moçambicanos.

Lusa /

"A partida prematura de Rosita Mabuiango comove não apenas a sua família, mas também a nação moçambicana, pois a sua história de vida está indissociavelmente ligada a um dos períodos mais dramáticos da nossa história recente", lê-se numa mensagem de condolências de Joaquim Chissano, que foi chefe de Estado de 1986 a 2005, tendo então acompanhado o nascimento da menina.

Rosita Mabuiango, que nasceu em cima de uma árvore nas cheias de 2000 em Moçambique, morreu na segunda-feira com anemia, depois de a sua história ter provocado comoção internacional que a levou até ao Congresso norte-americano.

Para o antigo Presidente, Rosita nasceu em circunstâncias "absolutamente extraordinárias", em cima de uma árvore, durante as "devastadoras cheias" de 2000, no vale do Limpopo, e tornou-se um "símbolo poderoso" da resiliência do povo moçambicano, da sua capacidade de resistir, sobreviver e afirmar a vida mesmo no meio da adversidade extrema.

Chissano recorda que Rosita veio ao mundo quando a sua mãe, Carolina Chirindza, estava há quatro dias abrigada naquele local, "fugindo às águas impiedosas do rio Limpopo, que inundaram o Chibuto e vastas regiões" do sul do país, e a sua história percorreu Moçambique e o mundo, despertando a atenção da comunidade internacional e contribuindo decisivamente para a mobilização de apoio humanitário, solidariedade e esperança, não apenas em seu favor, mas para com todo o povo moçambicano, "duramente atingido por aquela tragédia".

Na altura do nascimento de Rosita, Joaquim Chissano referiu que a coragem da mãe da menina, então com 22 anos, dando à luz em cima da árvore, devido às cheias que causaram vítimas - 700 mortos só entre fevereiro e março desse ano - e danificaram o país, simbolizava "a dor de todos os moçambicanos e a esperança no futuro".

"Hoje, ao lamentarmos a sua perda, recordamos também a grandeza do espírito humano que ela simbolizou desde o primeiro instante da sua vida. Rosita permanecerá na memória coletiva como um testemunho vivo, agora eterno, de coragem, resistência e da força da solidariedade entre os povos", acrescentou Chissano, na mensagem de condolências.

O antigo chefe de Estado endereçou ainda condolências à família e à comunidade da jovem, exprimindo votos de conforto, força e serenidade neste momento difícil.

Na segunda-feira, o pai da Rosita disse à Lusa que a jovem morreu às 05:00 (03:00 em Lisboa) daquele dia, mas há dois meses que estava doente, com anemia.

Já o presidente do Conselho Municipal de Chibuto, Henriques Machava, explicou à Lusa que a jovem faleceu à porta da unidade hospitalar, antes mesmo de receber, de novo, tratamento: "Andou doente durante algum tempo, melhorou e teve alta, estava em casa. Então, hoje de manhã teve uma recaída e foi levada ao hospital, mas morreu à porta do hospital".

Equipas de socorro de um helicóptero militar sul-africano resgataram a mãe e a bebé, ainda com a placenta, e mais uma dezena de outras mulheres e crianças que se encontravam sobre a mesma árvore.

Em junho do mesmo ano, os congressistas norte-americanos aproveitaram a visita ao Congresso, nos Estados Unidos da América, da menina moçambicana, para solicitar uma ajuda suplementar para o país.

Representantes democratas exortaram Washington a aumentar a ajuda aos milhares de deslocados e sem abrigo, bem como à diminuição da dívida de Moçambique, ao mesmo tempo que Rosita, acompanhada da mãe, era apresentada como "um símbolo da esperança".

 

Tópicos
PUB