Antigo presidente Khatami critica Ahmadinejad sobre Holocausto

O antigo Presidente reformador do Irão Mohammad Khatami criticou a negação pelo seu sucessor Mahmud Ahmadinejad do Holocausto, que considerou uma "realidade histórica", noticiou hoje a imprensa iraniana.

Agência LUSA /

"Devemos protestar mesmo se um só judeu foi morto. Não esqueçamos que um dos crimes de Hitler, do nazismo e do nacional- socialismo na Alemanha foi o massacre de inocentes entre os quais vários judeus", declarou o antigo Presidente reformador, citado hoje pela imprensa.

Khatami acrescentou que o holocausto deve ser reconhecido "mesmo que se tenha abusado desta realidade história e que haja enormes pressões sobre o povo palestiniano".

O Presidente ultraconservador Mahmud Ahmadinejad repetiu em várias ocasiões nos últimos meses que o Holocausto era um "mito" criado pelos Ocidentais para justificar a criação do Estado de Israel.

Acrescentou também que Israel devia ser "riscado do mapa" ou colocado na Europa, na América do Norte ou até mesmo no Alasca.

Estas declarações foram repudiadas pelo Ocidente e condenadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Mohammad Khatami, presidente entre 1997 e 2005, conduziu uma política de abertura em relação ao Ocidente e lançou a ideia do "diálogo de civilizações".

No final de Janeiro, o diário conservador Hamshahri lançou um concurso internacional de caricaturas sobre o Holocausto em resposta às caricaturas do profeta Maomé publicadas pela imprensa europeia.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano decidiu também organizar uma conferência sobre o Holocausto, ideia que o primeiro- ministro britânico, Tony Blair, considerou "chocante, ridícula e estúpida".

As declarações de Khatami surgem numa altura em que vários reformadores iranianos começaram a criticar a posição do Presidente Ahmadinejad e os perigos que representa para o Irão.

"Recentemente a questão do Holocausto tornou-se, por vontade do Presidente (Ahmadinejad), o tema da política externa do país (Ó) A questão judaica nunca foi problema do Irão ou do Islão. É um problema cristão e europeu", afirma em editorial o diário moderado Shargh.

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