Última Hora
Polícia retirou tendas dos manifestantes em Lisboa e no Porto

Antigo responsável do Pentágono alerta para patrulhas chinesas a leste de Taiwan

Antigo responsável do Pentágono alerta para patrulhas chinesas a leste de Taiwan

As patrulhas da Guarda Costeira chinesa a leste de Taiwan constituem a evolução "mais preocupante" dos últimos anos e podem ter um efeito "altamente desestabilizador" na região, alertou hoje um antigo responsável do Pentágono norte-americano.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Dado Ruvic - Reuters

Durante um seminário em Taipé, Randall Schriver, antigo secretário adjunto da Defesa dos Estados Unidos para os Assuntos de Segurança do Indo-Pacífico (2017-2019), afirmou que estas operações "parecem ações na zona cinzenta", segundo declarações citadas pela agência de notícias taiwanesa CNA.

A expressão refere-se a atividades que procuram desestabilizar um adversário sem ultrapassar o limiar de um conflito militar aberto.

"Embora possa parecer algo moderado, trata-se de uma extensão das reivindicações de soberania [da China]", afirmou Schriver, atual presidente da Comissão de Revisão Económica e de Segurança Estados Unidos-China, um órgão consultivo do parlamento norte-americano.

"Se essa `aplicação da lei` continuar a ser posta em prática operacionalmente, terá um efeito desestabilizador", acrescentou.

Desde o verão que a China intensificou a presença marítima em torno de Taiwan, com o envio de um número crescente de embarcações da Guarda Costeira, navios de investigação científica e outros meios oficiais para águas próximas da ilha e dos arquipélagos periféricos.

Uma das zonas mais frequentadas situa-se a leste de Taiwan, uma área particularmente estratégica por acolher importantes rotas marítimas do comércio mundial.

Segundo analistas de defesa, estas águas constituiriam também uma das principais vias de acesso utilizadas pelos Estados Unidos e pelo Japão para prestar auxílio a Taipé em caso de invasão ou bloqueio marítimo chinês.

Os analistas consideram que o atual destacamento de embarcações poderá anteceder a imposição de uma quarentena marítima, que permitiria a Pequim intercetar, inspecionar ou mesmo abordar navios comerciais com destino a Taiwan.

Uma operação desta natureza poderia interromper o fornecimento de bens essenciais, nomeadamente gás natural liquefeito, a principal fonte de produção de eletricidade no território.

Neste contexto, o Governo taiwanês tem reiterado que possui "direitos soberanos e jurisdição" sobre a zona económica exclusiva a leste da ilha.

As autoridades de Taipé têm igualmente denunciado que Pequim "não tem qualquer jurisdição sobre nenhuma das águas circundantes" de Taiwan.

A China considera Taiwan parte do seu território e não exclui o recurso à força para concretizar a reunificação, enquanto o Governo de Taipé rejeita as reivindicações de soberania de Pequim.

 

Tópicos
PUB