Antigo vice-ministro palestiniano Ali Shaath vai dirigir gestão de Gaza
O antigo vice-ministro palestiniano Ali Shaath vai dirigir o comité de transição encarregado de gerir a Faixa de Gaza, no âmbito do plano de paz norte-americano, anunciaram hoje Egito, Qatar e Turquia, países mediadores do conflito.
Numa declaração conjunta, os mediadores descreveram a criação deste comité como "um passo importante para consolidar a estabilidade e melhorar as condições humanitárias" no território palestiniano, onde vigora desde 10 de outubro de 2025 um frágil cessar-fogo entre Israel e o grupo islamita Hamas.
Ali Shaath, um engenheiro que foi vice-ministro do Planeamento da Autoridade Palestiniana, vai dirigir um comité tecnocrático que é parte de um plano mais vasto para pôr fim aos 18 anos de domínio do Hamas na Faixa de Gaza.
Natural da Faixa de Gaza, é especialista em desenvolvimento económico e reconstrução, segundo a sua biografia no `site` do Instituto de Investigação de Política Económica da Palestina.
Os membros da estrutura tecnocrática para gerir assuntos correntes do enclave palestiniano ficarão sob supervisão de um "Conselho de Paz" liderado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cujos membros ainda não foram anunciados.
Na sua declaração, os mediadores expressaram esperança de que a criação do comité palestiniano abra caminho para a implementação da segunda fase do plano de 20 pontos da Casa Branca, que prevê igualmente o desarmamento do Hamas e o destacamento de uma força internacional para o território.
"Os mediadores salientam a necessidade de todas as partes se comprometerem com a plena implementação do acordo para alcançar uma paz sustentável e criar as condições adequadas para a reconstrução da Faixa de Gaza, de forma a que atenda às aspirações do povo irmão palestiniano de segurança, estabilidade e uma vida digna", acrescentou a declaração.
O enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, anunciou hoje que o plano dos Estados Unidos para pôr fim à guerra na Faixa de Gaza entrou na segunda fase.
O enviado norte-americano explicou que esta nova etapa marca a transição "de um cessar-fogo para a desmilitarização, governação tecnocrática e reconstrução" do território palestiniano, num anúncio feito pouco depois de ser divulgada a criação do comité tecnocrático palestiniano encarregado de administrar a Faixa de Gaza.
Witkoff disse que o objetivo central é "a completa desmilitarização e reconstrução de Gaza, principalmente o desarmamento de todo o pessoal não autorizado".
Antes do anúncio norte-americano, o Governo egípcio revelou que tinha sido alcançado "um consenso" entre todas as partes sobre os nomes dos 15 membros do comité tecnocrático encarregado de administrar a Faixa de Gaza.
Witkoff avisou ainda que Washington espera que o Hamas "cumpra integralmente" as obrigações, incluindo a devolução imediata do corpo do último refém pelas milícias palestinianas, Ran Gvili.
"Qualquer incumprimento desta obrigação terá consequências graves", sublinhou Witkoff, que elogiou os esforços de mediação do Egito, da Turquia e do Qatar, afirmando que foram "essenciais para tornar possível todo o progresso alcançado até à data".
Depois da declaração do início da segunda fase do plano norte-americano, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, falou com os pais do último refém ainda retido na Faixa de Gaza.
O líder israelita disse aos pais de Ran Gvili que a entrega do seu corpo continua "no topo das prioridades de Israel" e que o anúncio do comité de tecnocratas "não afetará de forma alguma os esforços" para o recuperar e enterrá-lo no seu país.
Netanyahu exigiu ainda, citado pelo jornal The Times of Israel, que as informações sobre o paradeiro de Gvili, fornecidas pelos mediadores, "sejam imediatamente traduzidas em ações efetivas no terreno".
Anteriormente, Israel disse em diversas ocasiões que só negociaria a segunda fase do acordo quando fosse entregue o corpo de Ran Gvili.
A primeira fase previa a troca de reféns (20 vivos e 28 mortos) por prisioneiros palestinianos, a retirada parcial das forças israelitas da Faixa de Gaza e a entrada de ajuda humanitária no território, tendo resistido, ao fim de mais de três meses, a acusações cruzadas de sucessivas violações do entendimento.
A guerra na Faixa de Gaza foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.
Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave palestiniano, que provocou mais de 71 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo grupo islamita, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.