Antigos Presidentes moçambicanos pedem rápido esclarecimento de homicídio de bispo

Antigos Presidentes moçambicanos pedem rápido esclarecimento de homicídio de bispo

Os antigos Presidentes moçambicanos Armando Guebuza e Joaquim Chissano apelaram à rápida responsabilização dos autores do homicídio, no sábado, do bispo de Quelimane, Osório Citora, enquanto o líder do MDM critica a "violência brutal" no país.

Lusa /
Dom Osório Citora Afonso, Bispo Quelimane DR/ Vatican News

Armando Gebuza, Presidente de Moçambique de 2005 a 2015, repudiou "veementemente" o assassínio de Osório Afonso Citora - bispo de Quelimane e administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira, no centro de Moçambique -, que segundo a polícia de investigação criminal de Moçambique foi assassinado na madrugada de sábado com um tiro.

"Que os responsáveis desse ato macabro sejam rapidamente detidos e responsabilizados", exigiu o antigo chefe de Estado, assinalando que nada justifica aquela violência.

Já Joaquim Chissano, chefe de Estado de 1986 a 2005, destacou, numa mensagem de condolências, que o bispo distinguiu-se pelo testemunho de fé, pela humildade, espírito de serviço e compromisso permanente com os valores do Evangelho, expressando consternação e sentidas condolências pelo seu falecimento trágico.

No documento, Chissano manifesta o sentimento de dor e luto para a Igreja Católica em Moçambique, partilhando tristeza pela perda de um pastor dedicado e manifestando firme condenação face ao "ato hediondo". O antigo chefe de Estado apelou também que autoridades competentes procedam ao esclarecimento das circunstâncias do crime.

O presidente do partido Movimento Democrático de Moçambique (MDM, quarta força parlamentar), Lutero Simango, também condenou hoje o homicídio do bispo Osório Citora, defendendo que a "violência brutal" não é um método legítimo de resolver conflitos e de substituir a força de argumentos.

"Se há problemas, devemos discutir, devemos conversar, devemos dialogar e não recorrer a essa violência brutal como aconteceu. Nós somos pelo diálogo, somos pela força de argumentos", disse em conferência de imprensa o líder do MDM, terceira força da oposição moçambicana.

Simango desafiou ainda as autoridades da Justiça para investigar "com toda a isenção e profissionalismo" de forma a esclarecer o homicídio e encontrar os autores do crime: "Nós acreditamos que essa ação macabra tem os seus mandantes, é por isso que é da responsabilidade das autoridades da Justiça investigar e encontrar quem são os verdadeiros culpados e autores desse crime".

O Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar (SCEAM) pediu reforço de proteção aos líderes religiosos no continente após o homicídio do bispo Osório Citora, exigindo respostas das autoridades.

"Exigimos que todos os responsáveis, sejam eles autores diretos, cúmplices ou mentores, sejam identificados, processados e levados à Justiça sem demora", apelou o presidente do SCEAM, cardeal Fridolin Ambongo, numa nota do organismo a que a Lusa teve hoje acesso.

Entretanto, numa nota da Santa Sé refere-se que o Papa Leão XIV expressou também profunda dor pelo assassínio do bispo de Quelimane, apelando ao fim dos atos de violência em Moçambique.

Em declarações aos jornalistas no mesmo dia do crime, o porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) na Zambézia, Maximino Amílcar, disse que o bispo foi morto na madrugada de sábado na sua residência com uma arma do tipo AK-M por homens que teriam escalado um muro, tendo vandalizado a segurança elétrica e disparado contra o bispo na "parte do peito, no coração".

A União Europeia (UE) pediu no sábado uma investigação "minuciosa e transparente" ao assassínio do bispo, lamentando e mostrando-se profundamente chocada com a morte trágica e violenta no centro de Moçambique.

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, manifestou no sábado, em comunicado, profundo sentimento de pesar e consternação pela morte do bispo.

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