Antirracistas abafam neonazis um ano após Charlottesville

Um ano após os protestos que tiveram lugar em Charlottesville, um grupo de neonazis manifestou-se diante da Casa Branca, em Washington, pelos “direitos civis dos brancos”. No entanto, os seus oponentes surgiram em maior número, acusando-os de racismo.

RTP /
Jason Kessler organizou a manifestação neo-nazi, bem como a que decorreu o ano passado em Charlottesville Jim Urquhart - Reuters

Na tarde de domingo, um grupo supremacista branco juntou-se em frente à Casa Branca, numa manifestação intitulada Unite the Right 2. A primeira ação do Unite the Right decorreu há um ano.

Na altura, a manifestação de Charlottesville foi encarada como um dos maiores encontros de nacionalistas brancos da América do Norte nas últimas décadas. Encabeçados por Jason Kessler, os neonazis manifestaram-se contra a remoção da estátua do general Robert E. Lee, que lutou a favor da escravatura durante a guerra civil norte-americana.

A presença de grupos antirracistas provocou tensões, que culminaram com um condutor neonazi a dirigir o carro contra manifestantes aí congregados. Morreu uma mulher de 32 anos, Heather Heyer, e 19 pessoas ficaram feridas.

Este ano, o grupo de supremacistas brancos voltou a juntar-se, mas desta vez esteve longe de atingir o número de manifestantes do ano passado. No pedido oficial para realizar os protestos em frente à Casa Branca, Kessler estimou que estariam presentes entre 100 a 400 manifestantes. Apareceram entre 20 a 30 pessoas.

Os grupos antirracistas, no entanto, apareceram em maior número para uma manifestação de sinal contrário. Segundo a France Presse, pelo menos 300 pessoas compareceram no local. Desta vez, ao contrário do que se passou em Charlottesville, o policiamento dos protestos foi mais apertado.

Por razões de segurança, as autoridades organizaram um percurso especial para a manifestação supremacista. De acordo com a BBC, os neonazis foram escoltados pela polícia até à Praça Lafayette, diante da Casa Branca. No final dos protestos, o grupo foi novamente escoltado, desta vez em dois carros policiais.
Kessler, "vítima" de Charlottesville
Apesar do policiamento, os ativistas do movimento Black Lives Matter e outros grupos antirracistas juntaram-se ao longo do percurso para gritarem em protesto. O nome de Heather Heyer, morta na manifestação do ano passado, foi relembrado várias vezes, quer através de gritos, quer através de cartazes.

Jason Kessler, organizador de ambos os protestos neonazis, limpou as mãos dos acontecimentos que tiveram lugar em Charlottesville. Na manifestação de domingo, afirmou que ele é que era a verdadeira vítima, segundo noticia o jornal The Guardian.

Do lado dos grupos antirracistas, os espíritos animaram-se com a quantidade de pessoas contra os supremacistas brancos. Foi o caso de Constance Young, de 35 anos, que disse sentir-se “muito poderosa”: “Se não dissermos aqui não, agora não, esta violência continuará a acontecer”, afirmou perante os restantes manifestantes.

Ainda do lado dos contramanifestantes, Jim, que preferiu não revelar o seu apelido à AFP, defendeu que os Estados Unidos ficaram mais racistas depois da eleição de Donald Trump.

“Isso encorajou as pessoas brancas. Quando andam na rua a posição deles é a de é melhor desviares-te do meu caminho. Foi subtil (…), como na Alemanha nazi”, afirmou o americano negro.

A manifestação neonazi esteve, uma vez mais, prevista para Charlottesville. No entanto, o município recusou o pedido de Kessler, por não querer reviver os acontecimentos do ano passado.
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