Anunciada a morte do líder da guerrilha tchetchena Doku Umarov

O líder rebelde checheno Doku Umarov, que liderava o grupo denominado por Emirato do Cáucaso está morto, revelou esta terça-feira um website ligado à guerrilha chechena. Umarov era um dos homens mais procurados pela Rússia. Tinha reivindicado a responsabilidade do ataque bombista de 2011 no aeroporto de Moscovo e, no ano passado, apelara à realização de atentados durante os Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi.

RTP /
www.kavkazcenter.com, Reuters

A declaração não explica as circunstâncias em que faleceu Doku Umarov, mas atribui-lhe a categoria de “mártir” pelo que a morte não deverá ter sido natural. Segundo revela o website do Kawkaz Center, a liderança do Emirato do Cáucaso passará para Ali Abu Mohammed.

A notícia ainda não foi confirmada por fontes independentes. A morte de Umarov tinha sido já anunciada anteriormente pelo líder pró-russo da Chechénia, Ramzan Kadyrov, mas é a primeira vez que a notícia é confirmada pelos próprios simpatizantes do líder guerrilheiro.
Putin volta a marcar pontos
A confirmar-se a morte do inimigo público número um da Rússia, é mais um ponto de popularidade que Vladimir Putin marca junto do seu eleitorado depois do esmagador apoio popular dos russos a anexação da Crimeia.

A mão de Umarov era suspeita de ter estado por detrás dos dois atentados que provocaram a morte a 34 pessoas na cidade russa de Volgogrado a 29 e 30 de dezembro de 2013. Os ataques não foram revindicados, mas foram atribuídos por Moscovo à guerrilha chechena e, particularmente, ao Emirato do Cáucaso.

Anteriormente, em julho, o líder do grupo tinha feito uma declaração num vídeo em que prometia usar “a máxima força” para desestabilizar os jogos de Sochi.

“Os russos planeiam realizar os jogos sobre os ossos dos nossos antepassados, sobre os ossos de muitos, muitos muçulmanos mortos e enterrados no território da nossa terra no Mar Negro e nós, os Mudjahedin, estamos obrigados a não permitir isso, usando todos os meios que nos são permitidos por Alá todo-poderoso”, dizia Umarov na declaração.
"Ele é Satanás"
Depois dos ataques de Volgogrado, Putin garantiu que a segurança seria reforçada e que os jogos se realizariam em segurança. O líder pró-Kremlin da Chechénia, jurou que a ameaça representada por Umarov “seria contida” antes do início dos jogos : “Ele é Satanás. Estou certo que o conseguiremos eliminar antes dos jogos olímpicos”, disse Ramzan Kadyrov.

O Emirato do Cáucaso, ou Imarat Kavkaz, tem raízes na guerrilha chechena dos anos 90. O grupo foi fundado em 2007 para reunir sob o mesmo teto várias fações jiahdistas que lutavam para criar um Estado islâmico na região.

A morte de Umarov não vai provocar lágrimas no Ocidente. O Departamento de Estado dos EUA incluiu o Emirato do Cáucaso na lista de organizações terroristas e oferecia uma recompensa de cinco milhões de dólares por informações que conduzam ao líder do grupo.

Para além do duplo ataque no aeroporto moscovita de Domodedovo em 2011, o Departamento de Estado norte-americano responsabiliza Umarov por um atentado suicida no exterior do Ministério do Interior da Chechénia em maio de 2009. O grupo por ele liderado também reivindicou os ataques à bomba de 2010 no metropolitano de Moscovo, que provocaram 40 mortos, e o atentado bombista em 2009 contra o comboio de alta-velocidade Nevsky Express, que matou 28 pessoas.
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