Apelo à calma na Guiné-Bissau
As Forças Armadas guineenses lançaram hoje um apelo aos apoiantes dos dois concorrentes à segunda volta das presidenciais para que mantenham a calma, exortando-os a respeitarem o "veredicto popular" que ditou a vitória de "Nino" Vieira.
Em comunicado, assinado pelo Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas guineenses (CEMGFA), general Tagmé Na Waié, lê-se que os resultados hoje publicados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) como único órgão competente para o fazer, traduzem a vontade popular.
"Os resultados traduzem fielmente o veredicto popular", afirmou Tagmé Na Waié, pedindo aos guineenses para que se abstenham de "actos irresponsáveis" os quais - realça - podem pôr em causa a paz e a estabilidade no país.
O CEMGFA exorta ainda os guineenses a darem um exemplo de civismo e maturidade ao mundo.
A finalizar o documento, o CEMGFA guineense alerta que o exército, fiel aos princípios do respeito pelas leis e pela Constituição da República, não vão permitir quaisquer actos susceptíveis de perturbar a paz social.
Considerando que se vive na Guiné-Bissau "um momento crucial da história do país, o CEMGFA avisa que o exército agirá "com firmeza e de forma pronta" contra quem quer que seja, em defesa dos valores da liberdade e independência dos guineenses.
Um grupo de fuzileiros do Batalhão da Marinha de Guerra começou, entretanto, a patrulhar algumas ruas do centro de Bissau, onde jovens apoiantes de "Nino" Vieira e de Bacai Sanhé se envolveram em confrontos, levando a uma intervenção da polícia para os dispersar.
Os fuzileiros mantêm uma espécie de cordão de divisão entre os apoiantes, na sua maioria jovens, das duas candidaturas.
O perímetro que dá acesso à residência do presidente da CNE, Malam Mané, está fortemente vigiado por fuzileiros navais, armados com espingardas e lança-foguetes (bazucas).
Por seu turno, o governo guineense, presidido pelo primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, reuniu-se, de emergência, momentos após a divulgação dos resultados provisórios das presidenciais que ditaram, para já, a derrota de Malam Bacai Sanhá, candidato apoiado pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) no poder.