Apoiantes de Lula reclamam bandeira como símbolo nacional
Uma multidão de brasileiros encheu no domingo a Avenida Paulista, São Paulo, para celebrar a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva e reivindicar a bandeira brasileira como símbolo nacional e não apenas da direita e do candidato derrotado, Jair Bolsonaro.
Cantando músicas em homenagem ao líder progressista eleito para um terceiro mandato no domingo, como o famoso "olé, olé, olé, olá Lula, Lula", e exaltando que a bandeira do Brasil voltará a representar todos os brasileiros, Gabriela Di Giacomo, 43 anos, disse à Lusa que se sentia "maravilhosa" nesta festa da vitória do líder progressista brasileiro.
"A vitória do Lula significa um alívio, eu não sou Lula, a minha família era toda dividida e agora estamos todos unidos, um facto histórico", disse a eleitora brasileira.
"Eu acho que vai acabar a autorização das pessoas falarem seus preconceitos contra as mulheres, os negros, os pobres e as minorias, que terão mais proteção com Lula", acrescentou.
Enquanto dizia em coro com um grupo de amigos que Lula da Silva é um "guerreiro do povo brasileiro", Thor Gabriel Mertuns, 25 anos, explicou que participou ativamente da campanha do Presidente eleito na segunda volta das presidenciais militando no grupo de esquerda Unidade Popular pelo Socialismo.
"Me sinto como se tivesse uma pressão gigante nas minhas costas e das costas do povo brasileiro que foi liberada. Nós sabemos que muita coisa vai acontecer, mas vamos lutar até o final para nos certificarmos de que Lula chegará de novo ao poder e este será um primeiro passo para a reconstrução do Brasil", afirmou.
Com uma bandeira do PT, outra do Brasil e uma garrafa de vinho, José Martins, 68 anos festejava na rua e explicava à Lusa porque estava feliz: "Precisamos lutar pela verdade e por um Brasil melhor".
"Acho que as fake news e o povo distante do poder é muito ruim. Houve uma invasão de privacidade, uma apropriação da bandeira brasileira que é do povo e não é de um partido", disse, acrescentando: Acho que foi uma agressão um candidato [Jair Bolsonaro] falar que a bandeira é dele", mas "agora ela volta a ser do povo brasileiro e representar sua diversidade".
A festa, que juntou eleitores de Lula vestidos com camisolas vermelhas e bandeiras do Brasil, também foi animada pela música que promete ser um hit do verão, "Está na hora do Jair [Bolsonaro], já ir embora."
Num grupo de amigos, vestido de branco e com autocolantes do Partido dos Trabalhadores (PT) no peito, Mauricio Casela, 62 anos, estava feliz: "porque nos livramos do outro candidato".
"A nossa democracia estava muito em risco, e eu estava muito temeroso", mas "agora estou aliviado", afirmou.
"Não acho que tenha perdido ou recuperado a bandeira brasileira agora. O que publicavam sobre a bandeira brasileira ser de um grupo era uma coisa falsa. A bandeira não estava a ser um símbolo de todos, a direita tinha-se apropriado dela, mas a minha condição de brasileiro vai além disso", exaltou.
"Acho que a bandeira tem que ser respeitada o que não acontecia quando era símbolo só da direita", concluiu.
Luiz Inácio Lula da Silva, 77 anos, foi eleito no domingo Presidente do Brasil, com 50,90% dos votos, derrotando Jair Bolsonaro (extrema-direita), que obteve 49,10%, quando estavam contadas 99,93% das secções eleitorais.
Lula da Silva, que já cumpriu dois mandatos entre 2003 e 2011, regressa ao Palácio do Planalto.
O antigo sindicalista terá como vice-presidente Geraldo Alckmin, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), que já havia sido seu opositor nas eleições presidenciais de 2006, então pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).