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Após ataques russos contra rede energética. Zelensky volta a pedir trégua aérea e marítima

Após ataques russos contra rede energética. Zelensky volta a pedir trégua aérea e marítima

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reagiu esta sexta-feira aos últimos bombardeamentos russos noturnos, afirmando que "os primeiros passos para uma verdadeira paz devem incluir forçar a única fonte desta guerra, a Rússia, a parar tais ataques contra a vida".

Cristina Sambado - RTP /
Reuters

Zelensky reiterou também o apelo a uma trégua limitada nos céus e no mar, tal como proposto inicialmente pelo presidente francês Emmanuel Macron.

Os primeiros passos para uma verdadeira paz devem incluir forçar a única fonte desta guerra, a Rússia, a parar com esses ataques contra a vida. E isto é algo que pode ser efetivamente controlado. Silêncio nos céus - proibir a utilização de mísseis, drones de longo alcance e bombas aéreas. E o silêncio no mar - uma garantia efetiva de uma navegação normal”, escreveu o presidente ucraniano na rede social X.


“E isso pode ser efetivamente controlado. Calma no céu, proibir o uso de mísseis, drones de longo alcance e bombas aéreas”, acrescentou.

O chefe de Estado garantiu que a “Ucrânia está pronta para seguir o caminho da paz e é a Ucrânia que luta pela paz desde o primeiro segundo desta guerra. A tarefa é forçar a Rússia a parar a guerra”.Na passada terça-feira, Zelensky já tinha proposto uma trégua com a Rússia no ar e no mar para iniciar conversações sobre uma “paz duradoura” com Moscovo.

Zelensky recordou que, na última noite, “o exército russo levou a cabo outro ataque maciço às nossas infraestruturas energéticas. Várias instalações foram visadas em várias regiões - Odessa, Poltava, Chernihiv e Ternopil. No total, os russos utilizaram cerca de 70 mísseis, tanto de cruzeiro como balísticos, bem como quase 200 drones de ataque. Tudo isto foi dirigido contra infraestruturas que asseguram uma vida normal”.
Segundo o presidente ucraniano, esta sexta-feira “os caças F-16 e os aviões Mirage fornecidos pela França foram utilizados para proteger os céus ucranianos. Em particular, os Mirage intercetaram com êxito os mísseis de cruzeiro russos. Obrigado”.Os cinco aviões de combate Mirage 2000 foram entregues à Ucrânia pela França no mês passado.

Zelensky deixou ainda um reconhecimento ao “desempenho das  forças de mísseis antiaéreos, da aviação do exército, de todas as unidades de guerra eletrónica e dos grupos de fogo móveis”.

Kiev revelou que as forças russas lançaram 67 mísseis e 194 drones contra infraestruturas de gás ucranianas, tendo sido abatidos 34 mísseis e 100 das aeronaves sem tripulação.

Na última madrugada, as forças russas bombardearam em massa várias infraestruturas energéticas na Ucrânia. O ataque danificou instalações de produção de gás natural. Durante a noite, foram emitidos alertas aéreos em todas as regiões ucranianas.
Turquia apoia trégua
O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, declarou esta sexta-feira o apoio à “ideia de estabelecer um cessar-fogo o mais rapidamente possível e de cessar os ataques aéreos e marítimos, como medida de reforço da confiança entre as partes”, apelando a “uma paz justa, duradoura e honrosa na Ucrânia”.

“Apoiamos a ideia de estabelecer um cessar-fogo o mais rapidamente possível e parar os ataques no ar e no mar, como medida de reforço da confiança entre as partes”, disse Erdogan, citado pela France Presse.“Estamos prontos a dar qualquer contribuição, incluindo acolher o processo de negociação, para o estabelecimento de uma paz justa, duradoura e honrosa na Ucrânia”, disse Erdogan, cujo país é membro da NATO.

O líder turco afirmou também que “a segurança europeia não é apenas uma questão para os países da União Europeia”, a que a Turquia é candidata desde 1999, depois de ter pedido a adesão em 1987.

Erdogan apelou para que a Turquia seja incluída nas discussões e que as relações com os Estados Unidos sejam poupadas.

É do nosso interesse mútuo planear todas as fases da segurança europeia com a Turquia. É também importante manter a ligação transatlântica e obter o apoio do nosso aliado americano””, acrescentou.
Diplomacia na Arábia Saudita e África do Sul
No plano diplomático, está prevista para terça-feira, na Arábia Saudita, uma reunião entre delegações dos Estados Unidos e da Ucrânia para definir “um quadro para um acordo de paz e um primeiro cessar-fogo”, de acordo com Steve Witkoff, enviado americano para o Médio Oriente.

Zelensky anunciou que se deslocaria à Arábia Saudita na segunda-feira para se encontrar com o príncipe herdeiro saudita Mohammed ben Salmane.

O presidente ucraniano vai também deslocar-se, a 10 de abril, à África do Sul, numa visita que é “uma extensão dos compromissos em curso” sobre “um processo de paz inclusivo” entre Kiev e Moscovo, de acordo com um porta-voz da presidência sul-africana.

"Esta visita é a continuação dos compromissos assumidos pelo presidente [sul-africano] Cyril Ramaphosa com o presidente [russo] Putin e o presidente [ucraniano] Zelensky em favor de um processo de paz inclusivo que abrirá caminho para a paz entre a Rússia e a Ucrânia", acrescentou Vincent Magwenya à agência de notícias France Prece.

No final de fevereiro, durante uma reunião do G20 em Joanesburgo, a África do Sul defendeu um processo de resolução do conflito ucraniano envolvendo todas as partes, poucos dias depois das conversações entre os EUA e a Rússia sem a Ucrânia, e convidou nessa ocasião Volodymyr Zelensky para uma visita de Estado.

Cyril Ramaphosa e Volodymyr Zelensky tiveram uma conversa telefónica, após a qual o chefe de Estado ucraniano agradeceu nas redes sociais o apoio "à soberania e integridade territorial da Ucrânia".

"É importante que os nossos países partilhem a mesma posição: nada sobre a Ucrânia sem a Ucrânia", acrescentou Zelensky.

c/ agências
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