Após Dhlakama, morre Simango e a oposição moçambicana fica decapitada

por Lusa

O analista Fernando Lima disse hoje à Lusa que a morte de Daviz Simango, presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) significa a "decapitação" da oposição, em pouco menos de três anos.

O jornalista e presidente do grupo de comunicação social moçambicano Mediacoop enquadra o falecimento de Simango na sequência do óbito de Afonso Dhlakama, em maio de 2018, ambos devido a problemas de saúde.

"Esta morte é terrível", disse Fernando Lima, em declarações à Lusa, a propósito do desaparecimento do líder do MDM.

"Significa que em menos de três anos se verifica a decapitação total da oposição parlamentar em Moçambique", salientou, acrescentando que a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) - principal partido da oposição - "nunca mais foi a mesma" desde que Dhlakama desapareceu.

Daviz Simango, 57 anos, tinha "suficiente carisma" para "poder ser uma figura unificadora de toda a oposição" nas próximas eleições em Moçambique, disse o analista.

Agora, a sua morte coloca um problema sério "à oposição, em geral, e ao MDM, em particular".

"Este é o drama dos partidos em que a figura do líder é omnipresente", com dificuldades de sucessão, afirmou Lima, antecipando para a terceira força parlamentar o mesmo tipo de dificuldades que a Renamo já enfrenta desde 2018 - uma "erosão notável da liderança", o que deixa as bases "inquietas" e a oposição mais fraca.

No MDM a situação poderá ser "mais grave", porque nos últimos anos "tem-se notado uma grande desagregação deste movimento, que nasceu, em última análise, por oposição à Renamo" e a partir "do bairrismo muito próprio da cidade da Beira".

Fernando Lima espera um reconhecimento expressivo por parte da população da Beira, onde Daviz Simango liderava o município, sendo "certamente a figura mais importante da cidade" portuária, capital da província central de Sofala, no pós-independência, sublinhou.

Tanto o pai, Uria Simango, como a mãe, Celina Muchanga, foram destacados dirigentes da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, partido no poder desde a independência em 1975) e ambos terão sido executados em campos de reeducação do partido, sob acusações de traição.

Um "processo traumático" face ao qual Daviz Simango como a família sempre se mostrou magnânimo, sem o "aproveitamento político", sublinhou Fernando Lima, classificando o ex-líder do MDM como uma figura "modesta, discreta e `terra-a-terra`".

O líder e fundador da terceira força parlamentar moçambicana, que tinha sido transportado em 13 de fevereiro por via aérea para uma unidade de saúde da África do Sul, devido a um problema de saúde súbito, morreu durante a madrugada de hoje.

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