Após queda do Governo, Macron garante que vai cumprir mandato presidencial "até ao fim"

Após queda do Governo, Macron garante que vai cumprir mandato presidencial "até ao fim"

Um dia depois da moção de censura parlamentar ao executivo na Assembleia Nacional, o presidente francês assegurou que não irá apresentar a demissão e que pretende cumprir o mandato até 2027. Na comunicação aos franceses desta quinta-feira, Emmanuel Macron prometeu nomear um novo primeiro-ministro "nos próximos dias" e acusou a extrema-esquerda e a extrema-direita de se unirem para formar uma "frente anti-republicana".

Andreia Martins - RTP /
Foto: Christian Hartmann - Reuters

Numa declaração ao país 24 horas após a votação de uma moção de censura contra o Governo de Michel Barnier, Emmanuel Macron falou aos franceses esta quinta-feira para asseverar que não irá abandonar o cargo antes do fim do mandato e que ainda tem 30 meses de governação pela frente.

“O mandato que me confiaram democraticamente é um mandato de cinco anos, vou exercê-lo plenamente até ao fim”, vincou o presidente francês.
Vários partidos e figuras políticas têm culpado o presidente francês por esta crise política e exigem a demissão do chefe de Estado.

Macron reconheceu hoje que a decisão de dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas, em junho último, "não foi compreendida" pelos franceses. Na quarta-feira, uma moção de censura aprovada por 331 deputados ditou o fim do Governo de Michel Barnier, nomeado há apenas três meses. Foi o executivo mais curto da história da V República.

“Muitos culparam-me por esta decisão e eu sei, muitos continuam a culpar-me. É um facto e é minha responsabilidade", assumiu o presidente francês. 

Mas Macron não chama a si a responsabilidade pela crise política agora criada, atirando culpas para a oposição, à esquerda e à direita.

"Os partidos escolheram o caos, a única agenda que une as esquerdas e direita radicais", declarou Macron acusando os dois blocos de se juntarem "numa frente anti-republicana", interessada apenas em precipitar eleições presidenciais antecipadas.
Foco no orçamento

O presidente francês prometeu, nesta declaração televisiva com cerca de dez minutos, a nomeação de um primeiro-ministro "nos próximos dias", a quem irá pedir "um Governo de interesse nacional".

Até lá, Macron garante que será apresentada uma lei orçamental no Parlamento ainda durante o mês de dezembro de forma a assegurar "a continuidade dos serviços públicos e da vida do país", uma vez que o Orçamento para 2025 ainda não foi aprovado.

O chefe de Estado terá presente as preocupações e avisos quanto à situação económica e financeira em França, que tem nesta altura um défice orçamental de 6,1 por cento do PIB. Citada pela France Presse, a agência Moody’s já alertou que a queda do Governo “reduz a probabilidade de consolidação” das finanças públicas.

Na reação imediata às palavras de Macron, Marine Le Pen respondeu às acusações do chefe de Estado. "Um pequeno lembrete para o presidente Macron, que é supostamente o garante da Constituição: a censura não é anti-republicana, está prevista na Constituição da nossa Quinta República", sublinhou.

Por sua vez, Jean-Luc Mélenchon considerou que Emmanuel Macron foi o responsável pela crise política em França, a "causa do problema", e “desaparecerá por força dos acontecimentos”. Em declarações à TF1, o líder da França Insubmissa acusa o chefe de Estado de "não ouvir ninguém".
Uma nomeação ainda mais difícil?

O primeiro-ministro Michel Barnier chegou ao poder a 5 de setembro, após várias semanas de impasse, isto depois da inesperada decisão de Macron em convocar eleições legislativas antecipadas na sequência da vitória da extrema-direita nas eleições europeias, em junho.

O escrutínio, que teve a segunda volta em 7 de julho, resultou numa Assembleia Nacional fragmentada em que a coligação de esquerda Nova Frente Nacional saiu vencedora, mas não recolheu do Eliseu a aprovação das suas propostas para primeiro-ministro.

Foi o próprio presidente Macron que acabou por escolher Michel Barnier, um nome que acabaria por ser aprovado com a garantia de que a extrema-direita não faria cair o primeiro-ministro designado pelo chefe de Estado.

Seis meses após o escrutínio e após a moção de censura, a escolha de um primeiro-ministro será agora tão ou ainda mais complicada. A França Insubmissa insiste que irá voltar a vetar qualquer proposta que não saia da esquerda. Por sua vez, Marine Le Pen já deixou novas promessas de que, desta vez, "deixará o futuro primeiro-ministro trabalhar" e prometeu contribuir para "co-construir um orçamento aceitável para todos".
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