Após tiroteio em Praga. Governo checo decreta dia de luto nacional
Um tiroteio numa universidade de Praga, na quinta-feira, provocou 14 mortos e 25 feridos, dez dos quais em estado grave. O Governo checo decretou um dia de luto nacional, a 23 de dezembro, para recordar as vítimas.
“Ao mesmo tempo, também quero apelar a toda a gente para não se aproveitarem desse trágico incidente. Não deve ser usado politicamente, não deve ser usado para se atacar a polícia e não dever ser usado para se espalharem informações falsas”, afirmou Petr Pavel ao final do dia de quinta-feira. O presidente checo frisa que o “apelo se aplica a todos, políticos, meios de comunicação, cidadãos, a todos os que têm acesso às redes sociais, porque o que precisamos nesta situação, acima de tudo, é contenção e coesão”.
Esta sexta-feira o primeiro-ministro checo, Petr Fiala, apelou aos checos que tenham consideração e evitem divulgar informações não verificadas.
Vážení přátelé, prosím přistupujme k tragédii, která se včera stala na FF UK, citlivě a ohleduplně. Mnoho lidí přišlo o své blízké a přátele, hloubku jejich bolesti a zármutku si stěží dovedeme představit. I z úcty k nim se prosím zdržme rychlých soudů a nešiřme neověřené…
— Petr Fiala (@P_Fiala) December 22, 2023
“Caros amigos, por favor abordem a tragédia que aconteceu ontem na [Faculdade de Letras da Universidade Carlos] com sensibilidade e consideração. Muitas pessoas perderam entes queridos e amigos e é difícil imaginar a profundidade da sua dor e tristeza”, escreveu na rede social X.
A polícia – que descobriu um grande arsenal de armas no edifício da universidade localizada no centro da capital checa – foi alertada ao início do dia de que o suspeito se dirigia para Praga, vindo da cidade de Kladno, com intenções de se suicidar.
Os agentes vedaram a zona e pediram à população residente na vizinhança para permanecer no interior das habitações. O ato de violência, ocorrido no centro histórico da capital checa, na Faculdade de Letras, localizada perto de importantes locais turísticos, como a Ponte Carlos, do século XIV, provocou uma intervenção em massa de polícias fortemente armados.
O chefe da polícia, Martin Vondrasek, revelou que as autoridades policiais tinham informações não confirmadas de uma conta numa rede social de que o atirador se tinha inspirado num ataque terrorista na Rússia, no outono deste ano. O jovem, que era detentor local de várias armas de fogo, era um bom aluno, sem antecedentes criminais e agiu sozinho.
O jovem é também suspeito de ter assassinado outro homem e a sua filha de dois meses, que foram encontrados, mortos a tiro, numa floresta de uma aldeia nos arredores de Praga, acrescentou Martin Vondrasek.
O ministro checo do Interior, Vít Rakušan, revelou que 13 das 14 vítimas mortais já foram identificadas. Entre as vítimas está o pai do atirador que foi encontrado morto na vila de Hostoun, a oeste de Praga. Este foi o tiroteio mais grave desde que a Chéquia se tornou um Estado independente, em 1993, que causou uma onda de consternação em todo o mundo.
Vít Rakušan revelou ainda que entre os 25 feridos estão três estrangeiros. O governante garantiu ainda que o tiroteio não tinha “qualquer ligação com terrorismo internacional”.
Os crimes com armas de fogo são relativamente raros na Chéquia. Em dezembro de 2019, um homem armado de 42 anos matou seis pessoas numa sala de espera de um hospital na cidade de Ostravabe, no leste do país, antes de se suicidar. Em 2015, um homem de 63 anos matou oito pessoas e suicidou-se de seguida num restaurante em Uhersky Brod, no sudoeste do país.
"Não podemos deixar que haja espaço para atos violentos"
O presidente do Conselho Europeu apresentou condolências às famílias das vítimas e defendeu que estes atos violentos não têm lugar nas sociedades europeias.
Shocked by the senseless violence of the shooting that claimed several lives today in Prague.
— Ursula von der Leyen (@vonderleyen) December 21, 2023
I express my deepest condolences to the families of the victims and to the Czech people as a whole.
We stand and mourn with you.
O presidente francês, Emmanuel Macron, expressou a solidariedade com o povo checo, tal como fizeram muitos outros líderes europeus, incluindo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
Também o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, enviou condolências ao homólogo checo, pelo “hediondo ataque”.
Já o primeiro-ministro português, António Costa, mostrou-se “profundamente chocado” e endereçou “sentidas condolências às famílias das vítimas e toda a solidariedade para com o povo e o Governo checos”, enquanto o ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, apresentou as condolências pelo “trágico e insensato ato de violência”.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse ter ficado triste com o tiroteio e expressou condolências às famílias das 14 vítimas mortais e 25 feridos.
Numa mensagem publicada na rede social X, o português reiterou a "total solidariedade" para com o povo e o Governo da República Checa, e desejou uma "recuperação total e rápida" aos feridos.