Após tiroteio em Praga. Governo checo decreta dia de luto nacional

Um tiroteio numa universidade de Praga, na quinta-feira, provocou 14 mortos e 25 feridos, dez dos quais em estado grave. O Governo checo decretou um dia de luto nacional, a 23 de dezembro, para recordar as vítimas.

Cristina Sambado - RTP /
David W Cerny - Reuters

O atirador, um jovem estudante de 24 anos, foi encontrado morto pela polícia, num caso em que as autoridades checas descartam a hipótese de “terrorismo internacional”.

O presidente checo, Petr Pavel, que apelou a que não haja aproveitamento deste episódio, expressou condolências às famílias e manifestou tristeza pela perda de tantas vidas jovens.

“Ao mesmo tempo, também quero apelar a toda a gente para não se aproveitarem desse trágico incidente. Não deve ser usado politicamente, não deve ser usado para se atacar a polícia e não dever ser usado para se espalharem informações falsas”, afirmou Petr Pavel ao final do dia de quinta-feira.
O presidente checo frisa que o “apelo se aplica a todos, políticos, meios de comunicação, cidadãos, a todos os que têm acesso às redes sociais, porque o que precisamos nesta situação, acima de tudo, é contenção e coesão”.

Esta sexta-feira o primeiro-ministro checo, Petr Fiala, apelou aos checos que tenham consideração e evitem divulgar informações não verificadas.


“Caros amigos, por favor abordem a tragédia que aconteceu ontem na [Faculdade de Letras da Universidade Carlos] com sensibilidade e consideração. Muitas pessoas perderam entes queridos e amigos e é difícil imaginar a profundidade da sua dor e tristeza”, escreveu na rede social X.

A polícia – que descobriu um grande arsenal de armas no edifício da universidade localizada no centro da capital checa – foi alertada ao início do dia de que o suspeito se dirigia para Praga, vindo da cidade de Kladno, com intenções de se suicidar.


Os agentes vedaram a zona e pediram à população residente na vizinhança para permanecer no interior das habitações. O ato de violência, ocorrido no centro histórico da capital checa, na Faculdade de Letras, localizada perto de importantes locais turísticos, como a Ponte Carlos, do século XIV, provocou uma intervenção em massa de polícias fortemente armados.

O chefe da polícia, Martin Vondrasek, revelou que as autoridades policiais tinham informações não confirmadas de uma conta numa rede social de que o atirador se tinha inspirado num ataque terrorista na Rússia, no outono deste ano. O jovem, que era detentor local de várias armas de fogo, era um bom aluno, sem antecedentes criminais e agiu sozinho.

O jovem é também suspeito de ter assassinado outro homem e a sua filha de dois meses, que foram encontrados, mortos a tiro, numa floresta de uma aldeia nos arredores de Praga, acrescentou Martin Vondrasek.


O ministro checo do Interior, Vít Rakušan, revelou que 13 das 14 vítimas mortais já foram identificadas. Entre as vítimas está o pai do atirador que foi encontrado morto na vila de Hostoun, a oeste de Praga. Este foi o tiroteio mais grave desde que a Chéquia se tornou um Estado independente, em 1993, que causou uma onda de consternação em todo o mundo.

Vít Rakušan revelou ainda que entre os 25 feridos estão três estrangeiros. O governante garantiu ainda que o tiroteio não tinha “qualquer ligação com terrorismo internacional”.

Os crimes com armas de fogo são relativamente raros na Chéquia. Em dezembro de 2019, um homem armado de 42 anos matou seis pessoas numa sala de espera de um hospital na cidade de Ostravabe, no leste do país, antes de se suicidar. Em 2015, um homem de 63 anos matou oito pessoas e suicidou-se de seguida num restaurante em Uhersky Brod, no sudoeste do país.
"Não podemos deixar que haja espaço para atos violentos"

O presidente do Conselho Europeu apresentou condolências às famílias das vítimas e defendeu que estes atos violentos não têm lugar nas sociedades europeias.

"Apresento as minhas condolências mais sinceras às famílias das vítimas deste tiroteio [...], não podemos deixar que haja espaço para estes atos violentos nas nossas sociedades", escreveu Charles Michel na rede social X.

Também a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, expressaram horror pelo ataque, e apresentaram as condolências das instituições que representam.


As primeiras-ministras italiana, Giorgia Meloni, e francesa, Élisabeth Borne, também lamentaram o tiroteio.

O presidente francês, Emmanuel Macron, expressou a solidariedade com o povo checo, tal como fizeram muitos outros líderes europeus, incluindo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Também o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, enviou condolências ao homólogo checo, pelo “hediondo ataque”.


Já o primeiro-ministro português, António Costa, mostrou-se “profundamente chocado” e endereçou “sentidas condolências às famílias das vítimas e toda a solidariedade para com o povo e o Governo checos”, enquanto o ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, apresentou as condolências pelo “trágico e insensato ato de violência”.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse ter ficado triste com o tiroteio e expressou condolências às famílias das 14 vítimas mortais e 25 feridos.

Numa mensagem publicada na rede social X, o português reiterou a "total solidariedade" para com o povo e o Governo da República Checa, e desejou uma "recuperação total e rápida" aos feridos.

Em Washington, o porta-voz da Casa Branca garantiu que “o Presidente [Biden] e a primeira-dama estão a rezar pelas famílias que perderam entes queridos e por todos aqueles que foram afetados por este ato de violência sem sentido”.

c/ agências
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