Mundo
Ar poluído nas cidades mata três milhões por ano
Os números são alarmantes: 80 por cento da população urbana vive em locais onde a poluição atmosférica é superior ao recomendável pela OMS. As previsões são para que o cenário se agrave nos próximos anos. Nas cidades mais desenvolvidas, o cenário até está a melhorar. Em Portugal, seis dos 12 centros avaliados apresentam valores superiores ao recomendado pelas Nações Unidas. No entanto, os valores são inferiores aos registados no relatório anterior.
Propaga-se o desenvolvimento, propaga-se a poluição. Entre 2008 e 2013, os níveis de poluição do ar nas cidades aumentaram oito por cento. Os valores mais elevados verificam-se em países menos desenvolvidos, nomeadamente no Mediterrâneo oriental e no sudeste asiático.
Os números apresentados na terceira base de dados da poluição do ar nas cidades, agora publicada pela Organização Mundial de Saúde, são categóricos. Noventa e oito por cento das cidades monitorizadas em países de baixo ou médio rendimento com mais de 100 mil habitantes não cumprem as metas da OMS.
A conclusão é que mais de 80 por cento da população urbana convive com ar que não respeita os padrões da OMS. De acordo com esta análise, a cidade nigeriana de Onitsha é a mais poluída do mundo, com cerca de 600 microgramas de partículas inaláveis por metro cúbico. Um valor que é 20 vezes superior ao recomendado pela OMS.
Onitsha apresenta-se como uma cidade portuária e de trânsito em forte expansão. Como ela, há várias outras - o que leva a Organização Mundial de Saúde a temer o pior. A OMS afirma que estas partículas são responsáveis por três milhões de mortes por ano e que o valor pode duplicar tendo em conta o crescimento da indústria automóvel e da população urbana.
Entre as cidades avaliadas, a finlandesa Muonio apresenta os valores mais baixos registados, com apenas dois microgramas de partículas finas e quatro microgramas de partículas inaláveis por metro cúbico.
Três milhões de mortes por ano
A OMS recorda que estão em causa substâncias como sulfato, nitratos e carbono negro, capazes de afetar os pulmões e o sistema cardiovascular, representando um risco para a saúde pública.
A instituição das Nações Unidas considera que estas partículas são o principal risco ambiental para a saúde pública, provocando mais de três milhões de mortes prematuras por ano. A OMS assinala, no entanto, que o mundo está mais sensibilizado para o tema e que tem havido melhorias.
“A sensibilização ganha terreno e já há mais cidades a vigiar a qualidade do ar. Quando esta melhora, as doenças respiratórias e cardiovasculares diminuem à escala mundial”, frisa Maria Neira, diretora da OMS para a Saúde Pública.
O relatório aponta que esta vigilância tem dado resultado e que mais de metade das cidades dos países com rendimento elevado conseguiram reduzir os níveis de poluição em mais de cinco por cento.
Este relatório avalia apenas a presença de partículas finas e pequenas, não sendo analisada a presença de, por exemplo, dióxido de nitrogénio ou ozono. A Organização Mundial de Saúde comparou os níveis de partículas inaláveis (PM10) e de partículas finas (PM2,5) em 795 cidades de 67 países entre 2008 e 2013.
Melhoria em Portugal
Ílhavo é o caso mais preocupante. A cidade do distrito de Aveiro apresenta 21 microgramas de partículas inaláveis por metro cúbico, sendo a única cidade com mais partículas destas do que o recomendado (20 ug/m3).

O tema será debatido na Assembleia Mundial da Saúde entre os dias 23 e 28 de maio.
Os números apresentados na terceira base de dados da poluição do ar nas cidades, agora publicada pela Organização Mundial de Saúde, são categóricos. Noventa e oito por cento das cidades monitorizadas em países de baixo ou médio rendimento com mais de 100 mil habitantes não cumprem as metas da OMS.
A conclusão é que mais de 80 por cento da população urbana convive com ar que não respeita os padrões da OMS. De acordo com esta análise, a cidade nigeriana de Onitsha é a mais poluída do mundo, com cerca de 600 microgramas de partículas inaláveis por metro cúbico. Um valor que é 20 vezes superior ao recomendado pela OMS.
Onitsha apresenta-se como uma cidade portuária e de trânsito em forte expansão. Como ela, há várias outras - o que leva a Organização Mundial de Saúde a temer o pior. A OMS afirma que estas partículas são responsáveis por três milhões de mortes por ano e que o valor pode duplicar tendo em conta o crescimento da indústria automóvel e da população urbana.
Entre as cidades avaliadas, a finlandesa Muonio apresenta os valores mais baixos registados, com apenas dois microgramas de partículas finas e quatro microgramas de partículas inaláveis por metro cúbico.
Três milhões de mortes por ano
A OMS recorda que estão em causa substâncias como sulfato, nitratos e carbono negro, capazes de afetar os pulmões e o sistema cardiovascular, representando um risco para a saúde pública.
A instituição das Nações Unidas considera que estas partículas são o principal risco ambiental para a saúde pública, provocando mais de três milhões de mortes prematuras por ano. A OMS assinala, no entanto, que o mundo está mais sensibilizado para o tema e que tem havido melhorias.
“A sensibilização ganha terreno e já há mais cidades a vigiar a qualidade do ar. Quando esta melhora, as doenças respiratórias e cardiovasculares diminuem à escala mundial”, frisa Maria Neira, diretora da OMS para a Saúde Pública.
O relatório aponta que esta vigilância tem dado resultado e que mais de metade das cidades dos países com rendimento elevado conseguiram reduzir os níveis de poluição em mais de cinco por cento.
Este relatório avalia apenas a presença de partículas finas e pequenas, não sendo analisada a presença de, por exemplo, dióxido de nitrogénio ou ozono. A Organização Mundial de Saúde comparou os níveis de partículas inaláveis (PM10) e de partículas finas (PM2,5) em 795 cidades de 67 países entre 2008 e 2013.
Melhoria em Portugal
Também as cidades portuguesas merecem a atenção da Organização Mundial de Saúde. O relatório revela que seis dos doze centros urbanos analisados apresentam valores acima dos recomendados.
Ílhavo é o caso mais preocupante. A cidade do distrito de Aveiro apresenta 21 microgramas de partículas inaláveis por metro cúbico, sendo a única cidade com mais partículas destas do que o recomendado (20 ug/m3).
No que diz respeito às partículas finas, as análises revelam haver 15 microgramas por metro cúbico, bem acima dos dez recomendados.A OMS considera ser fundamental que cidades e governos adotem políticas que melhorem a qualidade do ar e façam desta causa uma prioridade.
Para além de Ílhavo, Albufeira (14 ug/m3), Coimbra (12 ug/m3), Faro (11 ug/m3), Lisboa (11 ug/m3) e Vila do Conde (11 ug/m3) apresentam valores superiores de partículas finas face aos recomendados pela Organização Mundial de Saúde.
Almada (9 ug/m3), Braga (9 ug/m3), Loures (9 ug/m3), Santo Tirso (6 ug/m3), Sintra (8 ug/m3) e Vila Franca de Xira (9 ug/m3) estão dentro do recomendável pela instituição sediada em Genebra.
As cidades de Almada, Braga, Faro, Lisboa e Vila Franca de Xira tinham já sido referidas no relatório de 2014 e até melhoraram. Todas estas cidades apresentam agora valores inferiores aos que tinham sido verificados na altura, com exceção de Braga que mantém o mesmo nível de partículas finas (9 ug/m3, valor já abaixo do recomendado). Quanto às partículas inaláveis, Braga passou de 20 para 12 microgramas por metro cúbico.
No relatório, a OMS considera ser fundamental que cidades e governos adotem políticas que melhorem a qualidade do ar e façam desta causa uma prioridade. Entre as medidas apontadas estão a limitação das emissões industriais, o recurso a energias renováveis e a promoção dos transportes públicos e do uso da bicicleta nas deslocações urbanas.
Para além de Ílhavo, Albufeira (14 ug/m3), Coimbra (12 ug/m3), Faro (11 ug/m3), Lisboa (11 ug/m3) e Vila do Conde (11 ug/m3) apresentam valores superiores de partículas finas face aos recomendados pela Organização Mundial de Saúde.
Almada (9 ug/m3), Braga (9 ug/m3), Loures (9 ug/m3), Santo Tirso (6 ug/m3), Sintra (8 ug/m3) e Vila Franca de Xira (9 ug/m3) estão dentro do recomendável pela instituição sediada em Genebra.
As cidades de Almada, Braga, Faro, Lisboa e Vila Franca de Xira tinham já sido referidas no relatório de 2014 e até melhoraram. Todas estas cidades apresentam agora valores inferiores aos que tinham sido verificados na altura, com exceção de Braga que mantém o mesmo nível de partículas finas (9 ug/m3, valor já abaixo do recomendado). Quanto às partículas inaláveis, Braga passou de 20 para 12 microgramas por metro cúbico.
No relatório, a OMS considera ser fundamental que cidades e governos adotem políticas que melhorem a qualidade do ar e façam desta causa uma prioridade. Entre as medidas apontadas estão a limitação das emissões industriais, o recurso a energias renováveis e a promoção dos transportes públicos e do uso da bicicleta nas deslocações urbanas.
O tema será debatido na Assembleia Mundial da Saúde entre os dias 23 e 28 de maio.