Mundo
Arábia Saudita e EAU isolam Líbano invocando razões de "segurança"
Riade proibiu todos os cidadãos sauditas de viajarem para o Líbano e pediu a todos os seus emigrados que abandonem o país. Momentos depois, os Emirados Árabes Unidos (EAU) seguiram-lhe o exemplo, anunciando igualmente uma redução da sua presença diplomática em Beirute. Ambos mencionaram razões de segurança para justificar as decisões.
A Arábia Saudita acusa o Líbano de atitude hostil, por falta de apoio na recente crise diplomática com o Irão e devido à influência da guerrilha xiita libanesa do Hezbollah.
"O ministério saudita dos Negócios Estrangeiros pede a todos os cidadãos que não viagem para o Líbano, para sua própria segurança. Pede ainda àqueles que aí residem, ou que estão de visita, para sair do Líbano e de não ficar ali exceto em caso de absoluta necessidade," declarou um porta-voz do ministério, citado pela agência oficial de notícias SPA.
Aos que tiverem de ficar no Líbano, o diplomata saudita aconselhou "prudência e manter contacto com a embaixada saudita em Beirute para eventual assistência."
"O ministério Externo e da Cooperação Internacional anunciou que elevou para proibido o seu nível de aviso sobre deslocações ao Líbano," referiram por seu lado os EAU, em comunicado emitido do Dubai. "Decidiu ainda reduzir ao máximo os membros da sua missão diplomática em Beirute," refere o texto.
Fim de apoio militar
É a primeira vez que Riade apela claramente aos sauditas para evitarem o Líbano. Até agora os conselhos eram de prudência devido ao risco de atentados ou de confrontos.
As relações entre os dois países têm estado a degradar-se nas últimas semanas. Sexta-feira, a Arábia Saudita anunciou a interrupção de um programa de ajuda de três mil milhões de dólares ao exército libanês e a suspensão de outro no valor de mil milhões de dólares destinado às forças libanesas de segurança interna.O apoio de três mil milhões de dólares decorria no quadro de um acordo entre a Arábia Saudita e a França para fornecimento de armas e de equipamentos ao exército libanês. Uma primeira remessa de mísseis Mylan teve lugar em abril e uma segunda estava prevista para a próxima primavera.
Riade explicou as decisões como reação a atitudes assumidas por Beirute e inspiradas alegadamente pelo Hezbollah, consideradas hostis em relação à Arábia Saudita.
Por outro lado, Beirute não condenou, nem na Liga Árabe nem na Organização da Conferência Islâmica, a invasão das representações diplomáticas sauditas no Irão, em janeiro.
Rivalidade
Os ataques iranianos seguiram-se à execução dia 2 de janeiro do clérigo xiita Nimr al-Nimr, condenado à morte por "terrorismo" e levaram Riade a suspender as relações diplomáticas com Teerão.
Riade contesta ainda o apoio do Irão e da guerrilha libanesa do Hezbollah ao Presidente sírio Bashar al-Assad.
Irão e Arábia Saudita enfrentam-se mais diretamente noutro campo de batalha, o Iémen, com Riade a liderar uma coligação árabe de apoio militar às forças governamentais que sustêm o presidente iemenita sunita exilado, Abd Rabbuh Mansur Al-Hadi, contra as milícias xiitas Houthi, apoiadas por Teerão.
O recente levantamento das sanções internacionais impostas ao Irão e o regresso do país à cena internacional, sobretudo pelos contratos empresariais estabelecidos por Teerão com companhias italianas e francesas, ameaça também a influência saudita na cena internacional.
"O ministério saudita dos Negócios Estrangeiros pede a todos os cidadãos que não viagem para o Líbano, para sua própria segurança. Pede ainda àqueles que aí residem, ou que estão de visita, para sair do Líbano e de não ficar ali exceto em caso de absoluta necessidade," declarou um porta-voz do ministério, citado pela agência oficial de notícias SPA.
Aos que tiverem de ficar no Líbano, o diplomata saudita aconselhou "prudência e manter contacto com a embaixada saudita em Beirute para eventual assistência."
"O ministério Externo e da Cooperação Internacional anunciou que elevou para proibido o seu nível de aviso sobre deslocações ao Líbano," referiram por seu lado os EAU, em comunicado emitido do Dubai. "Decidiu ainda reduzir ao máximo os membros da sua missão diplomática em Beirute," refere o texto.
Fim de apoio militar
É a primeira vez que Riade apela claramente aos sauditas para evitarem o Líbano. Até agora os conselhos eram de prudência devido ao risco de atentados ou de confrontos.
As relações entre os dois países têm estado a degradar-se nas últimas semanas. Sexta-feira, a Arábia Saudita anunciou a interrupção de um programa de ajuda de três mil milhões de dólares ao exército libanês e a suspensão de outro no valor de mil milhões de dólares destinado às forças libanesas de segurança interna.O apoio de três mil milhões de dólares decorria no quadro de um acordo entre a Arábia Saudita e a França para fornecimento de armas e de equipamentos ao exército libanês. Uma primeira remessa de mísseis Mylan teve lugar em abril e uma segunda estava prevista para a próxima primavera.
Riade explicou as decisões como reação a atitudes assumidas por Beirute e inspiradas alegadamente pelo Hezbollah, consideradas hostis em relação à Arábia Saudita.
Por outro lado, Beirute não condenou, nem na Liga Árabe nem na Organização da Conferência Islâmica, a invasão das representações diplomáticas sauditas no Irão, em janeiro.
Rivalidade
Os ataques iranianos seguiram-se à execução dia 2 de janeiro do clérigo xiita Nimr al-Nimr, condenado à morte por "terrorismo" e levaram Riade a suspender as relações diplomáticas com Teerão.
Riade contesta ainda o apoio do Irão e da guerrilha libanesa do Hezbollah ao Presidente sírio Bashar al-Assad.
Irão e Arábia Saudita enfrentam-se mais diretamente noutro campo de batalha, o Iémen, com Riade a liderar uma coligação árabe de apoio militar às forças governamentais que sustêm o presidente iemenita sunita exilado, Abd Rabbuh Mansur Al-Hadi, contra as milícias xiitas Houthi, apoiadas por Teerão.
O recente levantamento das sanções internacionais impostas ao Irão e o regresso do país à cena internacional, sobretudo pelos contratos empresariais estabelecidos por Teerão com companhias italianas e francesas, ameaça também a influência saudita na cena internacional.