Argentina assumiu presidência do Mercosul apesar da oposição da Venezuela
Caracas, 15 dez (Lusa) - A Argentina assumiu na quarta-feira a presidência rotativa do Mercado Comum do Sul (Mercosul), apesar da oposição da Venezuela, que insiste que continua a presidir àquele bloco económico sul-americano.
A nova presidência, segundo a ministra argentina de Relações Exteriores, Susana Malcorra, foi assumida durante uma reunião extraordinária dos chefes da diplomacia do Mercosul em Buenos Aires.
Durante uma conferência de imprensa, a ministra argentina explicou que a sua homóloga venezuelana, Delcy Rodríguez, tentou participar no encontro, mas não tinha sido convidada, pelo que foi excluída.
Na reunião participaram também os ministros do Brasil, José Serrá, do Paraguai, Eládio Loizada, e do Uruguai, Nin Novoa.
A presidência rotativa do Mercosul passou para a Argentina depois de os países fundadores terem suspendido a Venezuela do bloco, alegando que não adotou todos os regulamentos necessários para o integrar.
Se Caracas cumprir os "compromissos básicos", poderá ainda integrar o Mercosul, disse a ministra argentina.
Entretanto, a ministra venezuelana, Delcy Rodríguez, disse que foi vítima de uma agressão física por parte das forças da ordem junto do Palácio de San Martin, na Argentina, onde decorreu a reunião de quarta-feira, e considerou que a passagem da presidência do Mercosul para a Argentina um ato "ilícito", parte de "uma conspiração" contra a Venezuela.
Delcy Rodríguez insistiu que a Venezuela já havia adotado 95% dos regulamentos exigidos pelo Mercosul.
Segundo a ministra, também foi agredida toda a sua comitiva e o vice-ministro de Relações Exteriores da Bolívia, numa atuação da polícia que "viola todas as convenções internacionais e de formalidade diplomática, que é o respeito devido entre os Estados soberanos".
"Estão a criar um terrível precedente [ao excluir a Venezuela] para a nossa organização, para o futuro do Mercosul", disse.