Argentina desaconselha viagens à Venezuela devido a "detenções arbitrárias"
As autoridades da Argentina aconselharam os cidadãos argentinos a não viajarem para a Venezuela devido à "grave situação" enfrentada pelo país e às "detenções arbitrárias de estrangeiros".
"Perante a grave situação na Venezuela e as detenções arbitrárias de estrangeiros, o Governo argentino reitera a sua recomendação contra as viagens para aquele país", afirmou a diplomacia de Buenos Aires, num breve comunicado divulgado na sexta-feira.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros já tinha emitido um alerta semelhante em maio, poucos dias antes do anúncio da partida, da Venezuela para a Argentina, da companheira e do filho do agente da polícia argentino Nahuel Gallo, que estava detido no país caribenho desde dezembro de 2024 e acusado de terrorismo.
Gallo foi detido por agentes de segurança venezuelanos depois de ter atravessado a fronteira terrestre com a Colômbia, numa viagem que, segundo as autoridades argentinas e a família do agente, tinha como objetivo visitar a companheira e o filho, que residiam naquele país.
Na altura, o Governo da Venezuela acusou Gallo de ser um dos 125 mercenários estrangeiros detidos por alegados planos para assassinar a vice-presidente Delcy Rodríguez.
O Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, alegou que a administração do homólogo da Argentina, Javier Milei, estava diretamente envolvida na alegada conspiração.
O Governo argentino respondeu que as acusações de Caracas contra Gallo são "falsas e infundadas" e tem pedido reiteradamente a libertação do agente.
No comunicado divulgado na sexta-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Argentina alertou ainda para "a constante recusa das autoridades venezuelanas em conceder assistência consular, jurídica ou de qualquer outra natureza aos cidadãos detidos".
Após as eleições presidenciais de 28 de julho de 2024 eclodiu uma crise na Venezuela, devido à controversa reeleição de Maduro, proclamada pelo órgão eleitoral --- controlado por funcionários ligados ao chavismo --- e à denúncia de fraude por parte da oposição, que reivindica a vitória de Edmundo González Urrutia.
Mais de 2.400 pessoas foram detidas --- a maioria delas libertadas --- e acusadas de terrorismo, segundo o Ministério Público, embora várias organizações não governamentais e partidos da oposição afirmem que são presos políticos.
O executivo de Maduro garante que o país está "livre de presos políticos" e que os apontados como tal estão presos por "cometerem atos puníveis".
Na quinta-feira, o Comité de Mães em Defesa da Verdade anunciou a libertação de 87 pessoas detidas nos protestos após as presidenciais.
As novas libertações somam-se às já ocorridas a 25 de dezembro, quando o comité reportou 71 e o Governo disse que eram 99.
"O país precisa de uma amnistia geral que conceda liberdade total a todas as pessoas detidas arbitrariamente por motivos políticos", reiterou o grupo.