Arguidos do caso das italianas no Sal condenados a 25 anos de prisão

Espargos, Sal, 22 Mai (Lusa) - Os dois arguidos do caso do assassinato de duas italianas na ilha do Sal, Cabo Verde, no ano passado, foram hoje condenados à pena máxima de 25 anos de prisão pelo tribunal da comarca do Sal.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Sandro do Rosário e Admilson Santos foram condenados a 25 anos cada um, por crimes de homicídio, ocultação de cadáver e furto.

Os assistentes congratularam-se com a pena aplicada mas os advogados dos dois arguidos anunciaram que vão recorrer, disse a Rádio de Cabo Verde.

O tribunal da comarca do Sal deu hoje como provados todos os crimes de que estavam acusados os dois arguidos do caso do assassinato de duas italianas na ilha do Sal, com excepção do crime de violação.

Sandro do Rosário e Admilson Santos foram hoje condenados a 25 anos de cadeia, por terem morto em Fevereiro do ano passado duas italianas, Dália Saiani e Georgia Busato, que enterram numa vala na localidade de Fontona, perto da capital da ilha, Espargos.

Durante duas horas, o juiz Ari Santos leu a sentença, condenando os dois jovens à pena máxima, em cúmulo jurídico.

Sandro do Rosário foi condenado por dois crimes de homicídio qualificado e Admilson Santos por um de homicídio em relação a Dália Saiani e outro de co-autor em relação a Geórgia.

Admilson foi também condenado por um crime de homicídio frustrado em relação a uma terceira jovem, que fugiu, Agnese Paci, crime de profanação de cadáver e crime de dano, furto e roubo, disse à Lusa fonte ligada ao processo.

Segundo a mesma fonte, Admilson foi ainda condenado pelo crime de receptação, porque ficou provado que embora não tivesse roubado as vítimas aceitou dinheiro ou bens que lhes pertenciam e que lhe foram entregues por Sandro do Rosário.

Dália Saiani e Geórgia Busato foram assassinadas a 08 de Fevereiro do ano passado em Fontona, perto de Espargos. Sandro do Rosário e Admilson Santos foram detidos no dia seguinte, acusados do homicídio.

Depois da leitura da sentença, a advogada das vítimas, Teresa Amado, disse à Lusa que "foi feita justiça" e que foi dada "a resposta que a sociedade esperava" e que "os arguidos mereciam", até porque "em momento algum mostraram arrependimento ou procuraram colaborar com a justiça".

"A Justiça cabo-verdiana está de parabéns", disse a advogada, enaltecendo o papel do juiz, Ari Santos, e do procurador, Vital Moeda, que ainda que muito jovens demonstraram que "a Justiça está em boas mãos".

Durante a fase de julgamento, Sandro do Rosário disse que agiu a mando de um italiano, namorado de Dália, e que as duas jovens que morreram e esse italiano, Alessandro Galli, faziam parte de um grupo organizado de tráfico de droga.

Teresa Amado, embora admitindo que tal não passe de "uma estratégia errada" de Sandro e de uma "fuga para a frente", disse também que essa questão deveria ser investigada à parte e que o que estava em causa era o homicídio das duas mulheres.

Ideia diferente tem Jaime Schofield, advogado de Sandro do Rosário, que também à Lusa disse que se há um envolvimento "de uma máfia italiana ou brasileira muda tudo, porque muda a motivação e a contextualização".

O advogado disse que vai recorrer (tem 10 dias para o fazer) para o Supremo Tribuna de Justiça, que vai alegar e explicar a "anomalia psíquica de Sandro" e que vai alegar que o julgamento sofreu de "várias insuficiências processuais".

Segundo o advogado, um terceiro jovem que esteve no local do crime passou de arguido a testemunha e Agnese Paci passou de vítima a testemunha, "quando a lei diz que uma testemunha não toma parte na acção" e Agnese estava no local do crime com as vítimas, de quem era amiga.

Nelson Pinheiro, advogado de Admilson Santos, também já anunciou que vai recorrer da sentença porque foi uma pena absurda, porque houve crimes que não ficaram provados e porque não foi tido em conta o facto de Admilson não ter antecedentes criminais.

Júlio Saiani, pai de Dali, que assistiu à leitura, também se afirmou satisfeito com a sentença.

À Lusa, Júlio Saiani lamentou a violência que se vive no Sal, que "não é a ilha paraíso que se faz crer".

"Um turista que venha para aqui vem desprevenido, não sabe a realidade daqui porque ninguém fala e a polícia não faz nada. Aqui, que eu soubesse, no último mês ocorreram três casos de violência: uma italiana foi quase estrangulada, uma mulher senegalesa esfaqueada e uma cabo-verdiana também foi quase morta", disse.

"O Sal não é a ilha paraíso que se faz crer. Dentro dos hotéis sim mas cá fora é outra coisa", lamentou.

FP.


PUB