Arlindo Chinaglia, do PT, é o novo presidente da Câmara dos Deputados
O novo presidente da Câmara dos Deputados é Arlindo Chinaglia, do Partido dos Trabalhadores (PT), que venceu hoje a eleição à segunda volta, após uma acirrada disputa com outro candidato da base aliada do governo.
Chinaglia e Aldo Rebelo, do Partido Comunista do Brasil (PC do B) receb eram, na segunda volta da votação em plenário, 261 e 243 votos dos deputados, re spectivamente.
Houve seis votos em branco e três abstenções.
Na primeira volta, Chinaglia obteve 236 votos e Rebelo 175, enquanto o terceiro candidato, Gustavo Fruet, do Partido da Social Democracia Brasileira (P SDB), de oposição, registou 98 votos.
Arlindo Chinaglia, paulista de 57 anos, médico, era líder do governo na Câmara e está no seu quarto mandato de deputado federal, tendo sido eleito pela primeira vez em 1995.
É considerado um articulador hábil dentro do seu partido, embora já ten ha dado demonstrações de ser muito explosivo com adversários partidários.
A sua candidatura à Presidência da Câmara, inicialmente fraca ante Aldo Rebelo, foi ganhando peso com acordos que foram costurados entre partidos e res ultou na formação, quarta-feira, de um grande bloco com 273 deputados.
Este bloco é liderado pelo PT e pelo Partido do Movimento Democrático B rasileiro (PMDB), de centro, as duas agremiações com o maior número de assentos na Câmara.
A candidatura de Chinaglia contou com o apoio do ex-ministro da Casa Ci vil José Dirceu, que tem interesse em retomar os direitos políticos, após ter ti do o mandato de deputado suspenso no âmbito do escândalo do "mensalão", esquema de compra de votos no Parlamento pelo PT.
Outros deputados envolvidos no "mensalão" também apoiaram Chinaglia.
No seu discurso antes da votação, Chinaglia negou ser um candidato "cha pa-branca", isto é, que representa apenas o governo e considerou "incorrecta" a análise de que a sua candidatura dividiu a base do governo.
A vitória de Arlindo Chinaglia representa mais uma etapa no reerguer po lítico do PT, muito abalado pelas denúncias de corrupção que começaram a surgir em 2005.
Além disso, garante tranquilidade ao presidente Lula, que terá um aliad o na Presidência da Câmara, pronto a apoiar a votação de projectos de interesse do governo.
O cargo de presidente da Câmara é um dos mais cobiçados do país pelo po der de decisão, influência e projecção nos media do presidente da Câmara, que po de assumir a Presidência da República na ausência do Presidente Lula da Silva e de seu vice.
Chinaglia vai dirigir a Câmara por dois anos e, em 2007, vai administra r um orçamento de 3,4 mil milhões de reais (1,2 mil milhões de euros).
No Senado, também houve eleição hoje e o actual presidente da Casa, Ren an Calheiros, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), de centro, que apoia o governo Lula da Silva, foi reeleito para o cargo.
A vitória de Calheiros, já esperada, foi confirmada por 51 votos contra 28 para José Agripino, líder do Partido da Frente Liberal (PFL), de oposição, n a Casa. Houve um voto branco e um nulo.
Renan Calheiros, advogado, 51 anos, natural do Estado do Alagoas, Norde ste do Brasil é um dos principais aliados do actual governo no Congresso Naciona l.
Juntamente com o senador e ex-presidente brasileiro José Sarney, é o ma ior interlocutor junto ao Palácio do Planalto do seu partido, o PMDB, que terá m uita força neste segundo mandato do Presidente Lula.
Renan Calheiros ficará à frente do Senado por mais dois anos e vai admi nistrar em 2007 um orçamento de 2,7 mil milhões de reais (977 milhões de euros).
Do resultado das eleições nas duas casas parlamentares estava pendente a reforma ministerial do novo governo Lula, que terá que dividir os 34 ministéri os entre os 11 partidos de sua coligação.
Lula da Silva já havia sinalizado a disposição de oferecer um ministéri o para o candidato da base aliada que saísse derrotado na eleição da Câmara.