Armando Guebuza, o terceiro presidente

Armando Emílio Guebuza, 61 anos, um dos mais influentes empresários de Moçambique, tornou-se no terceiro Presidente do país, em 30 anos de independência, ao vencer as eleições multipartidárias de 01 e 02 de Dezembro.

Agência LUSA /

O novo Presidente sucede na Ponta Vermelha a Samora Machel, que proclamou a independência em 1975 e faleceu num desastre aéreo em 1986, e a Joaquim Chissano, no cargo desde 1986, eleito democraticamente a partir de 1994 e que recusou concorrer a um terceiro mandato.

Com a sua eleição, Guebuza quebrou a tradição de os líderes do país serem oriundos da província de Gaza, sul, de onde surgiu a maioria dos dirigentes que estiveram na fundação da FRELIMO, partido no poder desde 1975.

Natural da província de Nampula, norte, filho de um enfermeiro e de uma doméstica, o secretário-geral da FRELIMO viveu parte da sua adolescência em Lourenço Marques, actual Maputo, onde iniciou estudos no Centro Associativo dos Negros da Colónia de Moçambique, em Xipamanine, nos subúrbios da capital.

Na década de 60 presidiu ao Núcleo dos Estudantes Secundários Africanos de Moçambique (NESAM), uma organização cívica anti-colonial.

fundada por Eduardo Mondlane em 1949.

Em 1963, Armando Guebuza aderiu à FRELIMO, ainda um embrião da frente oficialmente fundada a 25 de Junho de 1964, na Tanzânia, e cuja luta armada conduziu à independência de Moçambique, em 1975.

Como comissário político e ministro do Interior, já com a FRELIMO no poder, Armando Guebuza deixou o seu nome ligado a medidas polémicas como a deslocação para o campo de cidadãos "improdutivos" e os despachos "24/20", que resultaram na expulsão de estrangeiros, sobretudo portugueses, em 24 horas e com 20 quilos de bagagem.

Já numa situação de guerrilha desencadeada pelos rebeldes da RENAMO em 1976, Guebuza foi vice-ministro da Defesa Nacional até 1983, retomando depois o cargo de ministro do Interior.

Exerceu ainda o cargo de ministro na Presidência e dos Transportes e Comunicações, foi responsável pela coordenação das áreas da Agricultura, Comércio, Indústria Ligeira e Turismo, pela cooperação com a China, Coreia do Norte, Paquistão e Vietname e presidiu ao Comité de Ministros dos Transportes e Comunicações da África Austral.

Em 1990, foi nomeado chefe da delegação do governo às conversações de paz com a RENAMO, em Roma, que culminaram, após dois anos de negociações, com o acordo que pôs termo a uma guerra civil de 16 anos.

Actualmente é um dos empresários mais influentes do país, uma actividade não isenta de polémica, sobretudo pela explicação de que foi a criar patos que construiu a sua fortuna.

"As pessoas não podem ter medo de ser ricas", costuma responder às críticas.

Os seus variados interesses levantam igualmente dúvidas sobre a sua futura relação com o mundo dos negócios e a capacidade para resistir a pressões de +lobbies+ económicos.

Durante a campanha eleitoral disse à Lusa que vai manter uma separação rigorosa entre as duas actividades.

"Já o tinha dito quando fui eleito secretário-geral da FRELIMO: saberei separar e estou a separar as duas actividades. Fui eleito para trabalhar na área política e é essa área que privilegio.

No que se refere aos meus interesses empresariais esses serão tratados de forma empresarial, mas não comigo individualmente", afirmou.

A Constituição de Moçambique confere-lhe poderes para constituir um governo e presidir aos conselhos de ministros e é provável que faça um corte com o anterior executivo nomeado por Chissano e liderado pela primeira-ministra Luísa Diogo.

Na mesma entrevista à Lusa, admitiu mudanças na governação mas assegurou que o seu governo não representará um corte com o passado.

"Isto é a FRELIMO", justificou.

Armando Guebuza é casado com Maria da Luz Guebuza, de quem tem quatro filhos.

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