Armas para crianças, a aposta da indústria dos Estados Unidos

por Sandra Salvado - RTP
Harrison McClary - Reuters

Todas as semanas ocorrem nos Estados Unidos graves acidentes que envolvem crianças e armamento. Em alguns locais dos Estados Unidos as armas de fogo são já a segunda maior causa de mortalidade infantil, depois dos acidentes rodoviários. Um facto que passa ao lado da indústria, cada vez mais apostada em campanhas de publicidade para convencer pais a oferecerem aos filhos um primeiro contacto com armas.

Com cores brilhantes e atrativas, a oferta é variada e para todos os gostos e estilos. O público alvo vai dos seis aos 12 anos. Os meninos têm direito a espingardas modificadas exclusivas, as meninas a pistolas cor-de-rosa.

As crianças são assim a próxima geração de clientes dos fabricantes de armas dos Estados Unidos, revela o estudo agora publicado pelo Centro de Política de Violência, uma organização educacional dos Estados Unidos que trabalha com o objetivo de reduzir a mortes com armas.



"Como os seus primeiros clientes estão a ficar velhos e a morrer, a indústria de armas de fogo redirecionou a sua atenção para as crianças dos Estados Unidos. Assim como a indústria de tabaco procura novos fumadores para substituir os velhos, os fabricantes de armas procuram novos atiradores a quem vender os seus produtos letais", lê-se no relatório de 54 páginas.



Nos últimos anos tem havido um esforço no sentido de sensibilizar as famílias para evitarem a compra de armas, mas o certo é que poucos têm sido os que se preocupam com as consequências, como o uso de armas por crianças e adolescentes em suicídios, homicídios, tiroteios acidentais fatais e até mesmo assassínios em massa.



O estudo revela ainda a magnitude das campanhas de marketing através de anúncios da indústria de armas, catálogos e inúmeras fotos, que pais publicam nas redes sociais, com a alegria de quem oferece um outro presente qualquer e até com mensagens de incentivo. Campanhas apoiadas pela Associação Nacional de Espingardas, o principal lobby de armas da América.
De salientar ainda que, nos dias de hoje, um terço das crianças norte-americanas vive numa casa com pelo menos uma arma e dois milhões vivem perto de uma arma não segura.
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