Armistício - Europa e mundo celebram fim da I Guerra Mundial

O armistício de 11 de Novembro de 1918, que pôs fim à I Guerra Mundial, é assinalado hoje numa parte da Europa e noutros países implicados na Grande Guerra, em que morreram cerca de 8,5 milhões de soldados.

Agência LUSA /

Em Paris, o presidente Jacques Chirac participa numa cerimónia diante do túmulo do soldado desconhecido, no Arco do Triunfo, sob a protecção de cerca de 2.200 elementos das forças da ordem (a segurança foi reforçada desde que o chefe de Estado foi objecto de um atentado frustrado no desfile do Dia Nacional, a 14 de Julho de 2002).

A França presta também homenagem aos milhões de "poilus" (soldados de infantaria na I Guerra Mundial), 15 dos quais estão ainda vivos, todos com idades superiores a 105 anos.

A ministra da Defesa, Michèle Alliot-Marie, deslocar-se-á, por seu turno, à floresta de Compiègne (norte de Paris), onde o armistício foi assinado há 90 anos.

Em contrapartida, na Alemanha e na Áustria, nenhuma cerimónia está prevista para comemorar a data, que marca a derrota dos Impérios Alemão e Áustro-Húngaro (e aliados) pela aliança franco-britânica (e aliados).

Na Bélgica, como em todos os anos, as sirenes soarão às 11:00 durante um minuto. O rei Alberto II preside, em Bruxelas, a uma cerimónia junto do túmulo do soldado desconhecido.

No Reino Unido, a rainha Isabel II presidirá domingo às cerimónias em Londres.

Cerca de 9.500 homens e mulheres do Exército, Marinha, Força Aérea, Guarda Costeira e Marinha Mercante, bem como 1.500 civis, participarão num desfile que passará diante do Cenotáfio, dedicado aos veteranos da Normandia.

No mesmo local, a rainha e o primeiro-ministro, Tony Blair, depositarão uma coroa de flores.

Quando o Big Ben soar as 11:00, serão também observados dois minutos de silêncio.

A data é celebrada igualmente na Polónia (onde o 11 de Novembro é feriado nacional), mas por motivos diversos: a reconquista da soberania do país em 1918, depois de 130 anos de partilha entre a Rússia, a Prússia e a Áustria.

Em Varsóvia, o presidente polaco, Aleksander Kwasniewski, responsáveis políticos e habitantes da capital participam na deposição de uma coroa de flores no túmulo do soldado desconhecido.

Na Letónia, uma cerimónia semelhante terá lugar diante do monumento à Liberdade, em Riga.

Na República Checa, o presidente da Câmara de Praga, Pavel Bem, assistirá à inauguração de um novo memorial para os soldados checos que participaram na II Guerra Mundial.

Nos Estados Unidos, onde o 11 de Novembro não é feriado, o presidente norte-americano, George W. Bush, participa numa cerimónia no cemitério nacional de Arlington, perto de Washington.

Na Alemanha, o aniversário do armistício de Compiègne nunca é celebrado. A Áustria, a Croácia, a Bósnia, a Hungria, a Bulgária, a Eslovénia e a Rússia não comemoram também este dia.

Em contrapartida, em Hong Kong o dia é assinalado com uma cerimónia de homenagem às centenas de soldados britânicos e locais que caíram numa batalha de 18 dias para evitar que a colónia britânica fosse tomada pelas forças japonesas em 1941.

Em Wellington, os restos mortais de um soldado neo-zelandês desconhecido que caiu em França há 90 anos foram recebidos hoje: a Nova Zelândia torna-se assim um dos últimos países a criar um túmulo do soldado desconhecido.

No Japão, a cerimónia no cemitério dos estrangeiros de Kobé (oeste) será acompanhado pelo terceiro ano consecutivo por uma apresentação de "poilus" em uniformes originais da Grande Guerra.


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