Arquitectos vão expor nos espaços vazios da capital
Uma porta giratória na Praça de Espanha, uma sala de chuto junto ao Parlamento e uma estrutura ecológica na Praça da Alegria, são três das 15 propostas de ocupação de vazios urbanos que estarão expostas por Lisboa em Maio.
Os quinze painéis que serão espalhados por toda a cidade já a partir de 01 de Maio são o resultado do Concurso Público de Ideias e Intervenções na Cidade, e servem de «aperitivo» da Trienal de Arquitectura de Lisboa, que vai decorrer de 31 de Maio a 31 de Julho, e cujo tema de fundo é os Vazios Urbanos.
«Um Vazio Urbano é algo que está expectante na urbe, que tem qualidades, mas não é usado nem lembrado, porque nada se passa nesse local que seja passível de o integrar na cidade», explicou à Lusa o arquitecto Ricardo Aboim Inglez, o presidente do júri do concurso.
Como exemplo de vazio urbano, o arquitecto refere o Largo do Duque de Cadaval, situado por trás da estação de comboios do Rossio, «um espaço que os lisboetas, e até os turistas, só atravessam caso se enganem no caminho».
Mas o presidente do júri alertou para o facto de haver sítios que necessitam de vazios, como por exemplo o aterro da Boavista, a zona que liga o Cais do Sodré a Santos (por dentro - Rua de São Paulo, etc.), onde não há espaços verdes.
«É uma zona com potencial que não é aproveitada. É um vazio urbano pela ausência de vazio», explicou.
A Ordem dos Arquitectos - Secção Região Sul recebeu mais de 140 propostas no âmbito do Concurso de Ideias e destas o júri, composto por cinco elementos, seleccionou 15 para serem expostos em outdoors nos locais para que foram imaginados.
«Algumas ideias teriam potencial para ganhar forma, mas não era esse o intuito do concurso, que pretendia apenas acender a discussão em torno desta temática», disse Ricardo Aboim Inglez.
Um dos projectos que, na opinião do presidente do júri, deveria ganhar forma, seria o «Investimentos Imobiliários de Intervenções», da AUZ Projekt, que passaria pela recuperação de mais de 39 mil fogos devolutos, um dos três projectos que reuniu o voto consensual dos cinco jurados.
O outro projecto viável que Ricardo Aboim Inglez destacou foi o ECO-KIT, da Moov, um dispositivo adaptável e móvel, que, «apesar de ter sido projectado para a Praça da Alegria, poderia preencher um vazio urbano em qualquer outro local da cidade».
Outra das ideias que reuniu o consenso do júri, ou seja, o voto os cinco jurados, foi «A Cidade como Teatro de espectáculos; o vazio como palco de operações, de Maria João Fonseca, pensada para a Travessa das Terras do Monte, entre o nº 7 e o nº13, na Graça, em que o vazio aparece «como ponto de partida para a interactividade e para a experimentação da acção e dos processos narrativos, e em que a acção do cidadão, enquanto interveniente activo na construção de vivências e espaços, é urgente».
Os cinco elementos do júri votaram todos ainda num terceiro projecto, «Antiga Fábrica de Gás da Matinha - Lisboagás, de Sofia Brogueira Henriques, local que passaria a ser um parque de energias renováveis, um contraponto entre o passado industrial dos gasómetros e os actuais recursos energéticos sustentáveis.
Na ideia apresentada por Sofia, as estruturas dos gasómetros funcionariam temporariamente como suporte de concertos, exposições, teatros, espectáculos, desfiles, palestras, entre outras actividades, e permanentemente como Miratejo, e o muro que envolve os gasómetros, iria albergar actividades de uso quotidiano, como um ginásio e balneários, uma creche, um centro-de-dia, alguns espaços para ateliers, cursos, conferências e equipamento de apoio (casas-de-banho, arrumos), zonas administrativas e estacionamento.
Ricardo Aboim Inglez destacou ainda as «Salas de Chuto» envidraçadas que Paulo Moreira e Diogo Matos, projectaram para São Bento, e que iriam reflectir a Assembleia da República, devido à sua localização, um projecto que o arquitecto duvida que ganhe forma, mas considera «muito interessante, por haver um vazio físico, mas também humano».
A Trienal de Arquitectura de Lisboa, uma iniciativa da Ordem dos Arquitectos - Secção Região Sul, decorre, entre 31 de Maio e 31 de Julho, em quatro pólos distintos - Pavilhão de Portugal, Cordoaria Nacional, Museu da Electricidade e Cascais - abrindo com a Conferência Internacional «No Coração da Cidade», que decorrerá no Teatro Camões de 31 de Maio a 2 de Junho.