Arranca hoje discussão do processo de destituição de Dilma Rousseff

O pedido de destituição da Presidente brasileira está para já nas mãos de uma comissão especial da Câmara dos Deputados. Esta segunda-feira, a equipa de 65 deputados vai decidir se aprova o parecer que recomenda a continuação do processo, para o que necessita apenas de uma maioria simples.

RTP /
Ricardo Moraes, Reuters

São necessários 33 votos favoráveis na comissão especial da Câmara dos Deputados para que seja aprovado o parecer que recomendou a continuação do processo de impeachment. No caso de conseguir essa maioria, segue para publicação no Diário da Câmara e, 48 horas depois, o plenário de deputados votará o pedido.

De acordo com a imprensa brasileira, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), que se opõe ao Governo, pretenderia marcar essa sessão para dia 17, domingo, para quando estão convocadas manifestações contra a Presidente, que é acusada pela oposição de maquilhar as contas públicas.

São necessários os votos de pelo menos 342 dos 513 deputados da Câmara para o Senado ser autorizado a abrir o processo de destituição. Caso contrário, a possibilidade de impeachment de Dilma fica afastada em definitivo.

Feitas as contas ao contrário, para arquivar o pedido, a Presidente brasileira necessita do apoio de 171 deputados. Podem ser votos a favor, faltas ou abstenções.
Sondagens apontam para destituição
Uma sondagem do Instituto Data Folha apontava este domingo que a maioria dos brasileiros defende o fim do reinado de Dilma Rousseff e também do vice-presidente, Michel Temer: 61% dos brasileiros interrogados - contra 68% em meados de março -, declarou-se favorável à destituição, enquanto 60% defende que a Presidente deveria apresentar a demissão.

Mas a situação de Michel Temer, líder do PMDB (principal aliado do executivo brasileiro mas que abandonou a coligação governamental), também não é famosa entre os inquiridos: 58% reclama a destituição do vice-presidente e 60% a demissão.

Ironicamente, dando a imagem do caos em que está a paisagem política brasileira, no caso de destituição da Presidente, seria o mesmo Michel Temer a substituí-la até ao fim do mandato, em 2018.
Destituição de Temer
O vice-presidente não é para já visado num processo de destituição. No entanto, o Supremo Tribunal brasileiro ordenou ao presidente da Assembleia dos Deputados para criar uma comissão que avalie um possível pedido de impeachment a Michel Temer nos mesmos moldes de Dilma Rousseff.

Na sondagem do Instituto Data Folha, 49% dos brasileiros acredita que Dilma Rousseff será destituída, com 43% a pensarem precisamente o contrário.

Por outro lado, 79% dos inquiridos mostra-se favorável à organização de novas eleições no caso de Dilma Rousseff ou de Michel Temer serem destituídos, eventualidade prevista na Constituição de 1988.

Ainda segundo as sondagens, o antigo presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, venceria umas eleições presidenciais em 2018, com apenas 21% dos votos, à frente da sua antiga ministra do Ambiente Marina Silva (19%) e do social-democrata Aécio Neves (17%), candidato que foi derrotado por Dilma Rousseff na votação de 2014.

Nas intenções de voto, Michel Temer apenas consegue 1 a 2% das intenções de voto nesta sondagem realizada a 7 e 8 de Abril junto de 2.779 pessoas de 170 cidades do país e com margem de erro de 2 por cento.


c/ Lusa
Tópicos
PUB