Artistas italianos expulsos de Israel por retratarem Ahed Tamimi

Dois artistas italianos foram expulsos após terem pintado um retrato de Ahed Tamimi, uma adolescente palestiniana que até ontem esteve presa pelas autoridades israelitas. Os artistas estão proibidos de regressar ao país nos próximos dez anos.

RTP /
Os dois italianos tinham ordens para abandonar o país num prazo de 72 horas Mussa Issa Qawasma - Reuters

No passado domingo dois artistas italianos - Jorit Agoch e Salvatore De Luise – foram presos por pintarem um mural de Ahed Tamimi no Muro da Cisjordânia, na zona de Belém.

O jornal The Times of Israel noticiou que as autoridades anularam os vistos dos dois italianos e ameaçaram expulsá-los do país, caso não abandonassem Israel "voluntariamente" nas 72 horas seguintes.

Esta segunda-feira Azmi Masalha, advogado de ambos os artistas, confirmou que os italianos abandonaram o país, estando proibidos de voltar nos próximos dez anos.

No entanto, Masalha não deixou de declarar à Associated Press que os artistas pintaram o mural em “solidariedade” com a jovem ativista retratada. Mostrou ainda a sua estranheza pela detenção, dado que existem outras obras pintadas no muro.

“Foram detidos quatro dias após terem começado esta pintura em graffiti, apesar de existir uma torre de observação do exército sob a qual estavam a ser controlados desde o primeiro dia, pelo que é interessante o porquê de este incidente [a detenção] ocorrer no quarto dia”, disse à agência noticiosa americana.

O advogado acrescentou à Associated Press que as autoridades não prosseguiram com acusações criminais e que funcionários diplomáticos estiveram envolvidos na libertação dos artistas.

Juntamente com os dois italianos, as autoridades israelitas também detiveram um palestiniano, que foi libertado por não estar fortemente envolvido nas atividades dos dois artistas.
“Um modelo a seguir”
A rapariga retratada no mural de quase quatro metros, Ahed Tamimi, é uma adolescente de 17 anos da Cisjordânia.

Tornou-se um ícone do movimento contra a ocupação israelita na Palestina depois de bofetear dois soldados de Israel, num vídeo que ficou viral. Por essa razão foi detida durante três meses, antes de ser sentenciada a oito meses de prisão em março deste ano, como explica o Haaretz.

Tamini e a sua mãe, Nariman Tamimi - que também foi presa pelo incidente -, foram libertadas no domingo passado.

Após a sua libertação, a jovem ativista afirmou que “a resistência vai continuar até ao fim da ocupação”. Encontrou-se ainda com o presidente palestiniano, Mahmoud Abbas e recebeu um telefonema de felicitações do presidente turco, Recep Tayiip Erdogan.

“Ahed Tamimi é um modelo a seguir e um exemplo da luta popular da palestina pela liberdade e independência”, declarou o presidente palestiniano durante a receção a Tamini.

A adolescente palestiniana vive em Nabi Saleh, na Cisjordânia, um território que está sob controlo militar israelita.
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