Ásia e Médio Oriente lideram tabela de importação de armas

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As vendas de armas para o Médio Oriente e para a Ásia aumentaram significativamente nos últimos cinco anos. Os dados divulgados pelo Instituto Internacional de Investigação sobre a Paz de Estocolmo (SIPRI) revelam que, a nível mundial, as vendas de armas aumentaram dez por cento. Os cinco maiores exportadores são os Estados Unidos, Rússia, França, Alemanha e China que representaram, em conjunto, 74 por cento de todas as exportações de armas.

A maioria das regiões do Médio Oriente foi diretamente envolvida em conflitos violentos no período de 2013 a 2017. Por isso, as importações de armas na região aumentaram 103 por cento e representaram 32 por cento das importações globais de armas, nos últimos cinco anos.

O relatório divulgado pelo SIPRI indica que, a nível mundial, as vendas de armas aumentaram dez por cento, nos últimos cinco anos, mantendo-se os Estados Unidos como o principal exportador, com 34 por cento do mercado.
"Impacto na paz"
"O aumento do fluxo de armas suscita preocupações quanto ao seu impacto na paz e na segurança internacionais", explicou o embaixador Jan Eliasson, presidente do conselho de administração do SIPRI.

Estes dados "realçam a necessidade de melhorar e de pôr em prática mecanismos internacionais como o Tratado sobre o Comércio de Armas", comentou ainda o antigo presidente da Assembleia-geral das Nações Unidas.

A Arábia Saudita conta com dez por cento do total de importações, o Egito com 4,5 por cento, os Emirados Árabes Unidos com 4,4 por cento e o Iraque com 3,4 por cento e são os estados que mais armas compraram no Médio Oriente.

Já as exportações de armas dos EUA no período entre 2013-2017 foram 58 por cento maiores do que as da Rússia - o segundo maior exportador de armas nesse período. As exportações para as regiões do Médio Oriente representaram 49 por cento das exportações totais de armas nos EUA nesse período.

"Com base em acordos assinados durante a administração Obama, as entregas de armas dos EUA em 2013-17 atingiram o seu nível mais alto desde o final da década de 1990. Esses acordos e outros contratos importantes assinados em 2017 garantirão que os EUA continuem o maior exportador de armas nos próximos anos", indicou Aude Fleurant, diretora do SIPRI.
Índia, maior importador mundial

Cerca de um terço da importação de todas as armas no mundo, ou seja, 32 por cento, registaram-se no Médio Oriente, quando em 2008-2012 tinha sido 18 por cento.

A Índia foi o maior importador mundial de armamento em 2013-2017, o que correspondeu a 12 por cento do total global. As importações aumentaram 24 por cento entre 2008-2012 e 2013-2017.

"As tensões entre a Índia, de um lado, e o Paquistão e a China, do outro, estão a alimentar a procura crescente da Índia por armas, que continua incapaz de produzi-las", explicou Siemon Wezeman, investigador do SIPRI.A Rússia foi o grande fornecedor das importações da Índia em 2013-17, com 62 por cento. Contudo, com o grande aumento de 557 por cento de importações dos EUA, este tornou-se no segundo maior fornecedor.

"A China, pelo contrário, está a tornar-se cada vez mais capaz de fabricar as suas próprias armas e continua a fortalecer as suas relações com o Paquistão, Bangladesh e Birmânia através do fornecimento de armas", salienta ainda Siemon Wezeman.

Apesar de ter havido uma diminuição de 19 por cento das importações chinesas, Pequim foi o quinto maior importador de armas do mundo em 2013-2017, com quatro por cento da fatia global. Por outro lado, as exportações chinesas ultrapassam já os cinco por cento do total mundial.
França, terceiro maior exportador
Os cinco maiores exportadores são os Estados Unidos, Rússia, França, Alemanha e China que representaram, em conjunto, 74 por cento de todas as exportações de armas.

As empresas francesas de defesa viram a sua participação de mercado crescer em quase um ponto, no período 2013-2017 em relação a 2008-2012, de acordo com a Sipri.

A França aumentou as suas vendas em 27 por cento, o que lhe permitiu aumentar a sua participação de mercado de 5,8 por cento para 6,7 por cento.

O relatório do SIPRI refere-se às armas principais como aviões, sistemas de defesa antiaérea, blindados, mísseis, navios ou satélites, e revela que a Arábia Saudita se tornou o segundo importador mundial de armas depois da Índia, com um aumento de 225 por cento.

"Os conflitos violentos generalizados no Médio Oriente e o respeito pelos direitos humanos suscitaram um debate político na Europa ocidental e na América do Norte sobre a limitação das vendas de armas", sublinha no relatório Pieter Wezeman, investigador do SIPRI.

"No entanto, os Estados Unidos e os Estados Europeus continuam a ser os principais exportadores de armas para a região e forneceram mais de 98 por cento das armas importadas pela Arábia Saudita", concluiu.

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