Aspirina previne eficazmente estenose intracraniana
A aspirina é um medicamento tão eficaz na prevenção da estenose intracraniana como a varfarina, outro anticoagulante muito mais dispendioso, indica um estudo hoje divulgado nos Estados Unidos.
Já se sabia que a aspirina, um analgésico comum, podia ser usada para prevenir problemas cardiovasculares devido ao seu efeito anticoagulante.
Mas segundo este novo estudo, publicado pela revista "The New England Journal of Medicine", a aspirina também contribui para impedir os bloqueios arteriais no cérebro (estenose intracraniana) da mesma forma que a varfarina (Varfine), um fármaco mais complexo e mais caro.
O estudo, realizado em 59 centros médicos norte-americanos sob a direcção de John Marler e Marc Chimowitz, da Faculdade de Medicina da Universidade Emory de Atlanta (Geórgia), comparou dois grupos de doentes com bloqueio arterial cerebral, um tratado com varfarina e o outro com 1.300 miligramas de aspirina.
No total, participaram nos ensaios clínicos 569 pessoas, durante um ano e oito meses, em média.
Todos sofriam de um bloqueio de mais de 50 por cento de uma artéria intracraniana importante e tinham sofrido um acidente isquémico transitório (AIT) nos 90 dias anteriores ao início dos ensaios clínicos.
Um AIT é um défice neurológico ou retiniano de curta duração (perda da vista num olho) causado por um problema de circulação vascular cerebral. Embora não deixe sequelas, é muitas vezes anunciador de um ataque cerebral grave.
Segundo Marc Chimowitz, como o tratamento com varfarina é mais caro e complicado do que com aspirina, o seu abandono significaria uma poupança de cerca de 20 milhões de dólares para o sistema de saúde do país.
O investigador advertiu porém que "os resultados deste estudo são relevantes apenas para os pacientes com estenose intracraniana" provocada pela aterosclerose, que é uma acumulação de depósitos gordos nas paredes das artérias que trava o fluxo sanguíneo.