Assad diz que o regime sírio “precisa de tempo” para ganhar a batalha

Assad diz que o regime sírio “precisa de tempo” para ganhar a batalha

O Presidente da Síria admite que Damasco ainda não venceu a batalha contra os rebeldes e reconhece que o combate “vai levar tempo”. Numa entrevista a um canal de televisão pró-regime, da qual foram divulgados extratos esta quarta-feira, Bashar al-Assad classificou também de “irrealista” a criação de uma zona tampão na Síria avançada pelos países ocidentais e pela Turquia.

RTP /
Bashar al-Assad insiste que "apesar dos erros cometidos" a maioria do povo sírio ainda está com ele Sana/Epa

“Posso resumir [a situação] numa frase: estamos a progredir, a situação no terreno é melhor, mas ainda não ganhámos e para isso é necessário mais tempo”, disse o líder sírio ao canal privado Ad-Dounia, na entrevista citada pela France Press.
Zona tampão é hipótese "irrealista"
Assad considerou morta à partida a hipótese de uma zona tampão, que teria como objetivo acolher os milhares de refugiados do conflito entre o Governo e os rebeldes.

“Penso que falar de zonas tampão não é, em primeiro lugar, uma opção que esteja sobre a mesa e em segundo lugar é uma ideia irrealista, até mesmo para os Estados hostis e inimigos da síria”, afirmou.

O líder sírio rejeitou a ideia de que as inúmeras deserções de figuras importantes do regime nos últimos meses tenham enfraquecido o seu campo, afirmando que agora o país está “limpo” de pessoas que segundo ele não têm patriotismo.
Assad diz que "patriotas não fogem"
“As pessoas patriotas e as pessoas de bem não fogem, não deixam a pátria”, disse Assad. “Esta operação [as deserções] acaba por ser positiva, é em primeiro lugar uma operação de auto-limpeza do Estado e da nação em geral”.

Na entrevista o presidente sírio prestou homenagem ao exército regular e às forças de segurança que combatem os rebeldes por todo o país e segundo ele levam a cabo “atos heroicos”.
Assad diz acreditar que o povo está com ele
Bashar al-Assad continua a arrogar-se o apoio da maioria da população, afirmando que “apesar de todos os erros” continua a existir um laço sólido entre o regime e o povo sírio.

“Todos estão inquietos pela sua pátria, é normal. Mas eles [os que combatem o regime] não conseguirão espalhar o medo, nunca o conseguirão”, afirmou, acrescentando: “Digo aos sírios que o vosso destino está nas vossas mãos e não nas de outras pessoas”.

Damasco afirma que a oposição síria e rebelião contra o seu regime são fruto de uma conspiração, financiada por países como a Arábia saudita, o Qatar e a Turquia, com o objetivo de semear o caos na Síria.
200 mil refugiados e o número cresce a cada dia
De acordo com as Nações Unidas, pelo menos 18 mil pessoas já morreram no conflito que dura há 17 meses e mais de 200 mil refugiaram-se em países vizinhos, embora o número dos que abandonaram a Síria seja muito superior a esse.

Mais de cinco mil sírios atravessam diariamente a fronteira turca e a Turquia viu-se forçada a abrir vários campos de refugiados que já dão guarida a 80 mil pessoas. Ancara avisa que, se o número aumentar para mais de 100 mil, deixará de ter condições para continuar a acolher refugiados.

Apesar de na entrevista ao Ad-Dounia o Presidente sírio ter considerado a ideia de uma zona tampão irrealista, o Governo turco continua a bater-se por ela e o cenário vai ser discutido quinta-feira pelos ministros dos Negócios Estrangeiros dos países que fazem parte do Conselho de Segurança da ONU.

“Esperamos que as Nações Unidas se debrucem sobre o tópico de fornecer proteção aos refugiados no interior da Síria e, se possível, abrigá-los em campos no interior desse país”, disse o ministro turco dos Negócios Estrangeiros, Ahmet Davutoglu.
Divisões paralisam comunidade internacional
Davotuglu disse que Ancara já discutiu o assunto com o alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, o português António Guterres, e com a chefe do apoio humanitário da ONU, Valerie Ramos.

No entanto, a comunidade internacional está dividida a respeito da estratégia a adotar para a Síria e não há sinais de que as potências mundiais estejam dispostas a apoiar uma zona tampão no interior do país, nem uma zona de interdição aérea, que tem vindo a ser pedida tanto pelos rebeldes como pelas organizações humanitárias.
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