Assassinada mãe de inspetora da PJ cabo-verdiana que investiga "Lancha Voadora"
Cidade da Praia, 18 set (Lusa) - A mãe de uma inspetora da Polícia Judiciária (PJ) cabo-verdiana que investiga o "Caso Lancha Voadora" foi assassinada NA quarta-feira à noite a tiro por desconhecidos, noticiou hoje a imprensa cabo-verdiana.
O assassínio aconteceu na noite de quarta-feira, e, segundo a imprensa cabo-verdiana, Isabel Moreira, mãe de Cátia Tavares, coordenadora da Secção Central de Investigação de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da PJ cabo-verdiana, foi atingida com pelo menos cinco tiros à porta de casa num bairro da Cidade da Praia por encapuzados, que abandonaram o local e até agora não foram encontrados.
A operação "Lancha Voadora" foi tornada pública a 08 de outubro de 2011, com a maior apreensão de droga de sempre no país: tonelada e meia de cocaína em estado de elevada pureza escondida numa cave de um prédio na Achada de Santo António, na Cidade da Praia, e que foi incinerada a 25 do mesmo mês.
A 28 de junho de 2013, o Tribunal da Comarca da Praia condenou nove dos 15 arguidos a penas de prisão efetiva entre os nove e os 22 anos, dando como provadas as acusações de associação criminosa e lavagem de capitais.
Hoje, o primeiro-ministro, José Maria Neves, ao comentar o assassínio de Isabel Moreira, considerou-o um "ato gravíssimo", sublinhando que o Governo está a analisar "todas as consequências" do sucedido.
"Quarta-feira à noite dei orientações de se fazer absolutamente tudo para que os responsáveis sejam rapidamente identificados e severamente punidos por este ato. Temos de fazer absolutamente tudo para que o crime não compense em Cabo Verde", afirmou José Maria Neves.
Por seu lado, o Procurador-Geral da República (PGR) cabo-verdiano, Óscar Tavares, também considerou o crime um ato "grave e preocupante", defendendo que devem ser tomadas medidas urgentes para encontrar e punir os assassino.
Óscar Tavares, que falava aos jornalistas após entregar o relatório sobre a situação da justiça cabo-verdiana ao presidente da Assembleia Nacional, afirmou que se trata de uma situação "ainda mais grave" por acontecer contra quem lida diretamente com a investigação criminal.
"Se não forem tomadas medidas urgentes para encontrar e punir os autores do crime poderá estar em causa tudo o que o país já fez na luta contra a criminalidade. É uma situação preocupante e que exige das autoridades uma tomada de posição em termos de mobilização dos meios e das condições, porque estamos numa situação em que pode estar em causa todo o edifício da luta contra a criminalidade", reforçou.
"É um sinal claro do crime organizado contra estruturas do Estado de direito democrático e de justiça", adiantou, considerando que a tónica não deve ser posta unicamente na proteção dos agentes da autoridade, mas sim ao "combate efetivo e com resultados concretos" no que diz respeito à luta contra a criminalidade no país.