Assassinado delegado sindical nas minas de Marikana, situação tensa na zona

Rustenburg, África do Sul, 06 out (Lusa) - Um delegado sindical foi assassinado na noite de sexta-feira em Marikana, no noroeste da África do Sul, revelou hoje o Sindicato Nacional dos Mineiros (NUM).

Lusa /

Segundo o porta-voz do NUM, Lesiba Seshoka, a vítima era delegado sindical na mina Western Platinum e foi morto a tiro na sua residência por desconhecidos.

Seshoka afirmou que este é o quinto delegado sindical assassinado na região, onde, no mês de agosto, 34 mineiros foram mortos numa carga policial, depois de outras dez pessoas, incluindo dois polícias e dois seguranças, terem sido mortos em confrontos durante uma greve na mina de platina da Lonmim.

A onda de greves no setor mineiro sul-africano, que já se arrasta há dois meses teve na sua génese, segundo analistas locais, a rivalidade entre o histórico NUM e sindicatos mais pequenos que têm surgido nas minas para preencherem o vazio provocado por alegado distanciamento do NUM face aos reais problemas dos mineiros.

Altos responsáveis do NUM, incluindo o seu secretário-geral, Frans Baleni, têm rejeitado essa leitura, mas em várias ocasiões os seus delegados sindicais têm sido vaiados por multidões de mineiros em greve e mesmo impedidos de participar em ações de massas marcadas por outros sindicatos ou representantes eleitos pelos trabalhadores.

Esta manhã, entretanto, algumas centenas de mineiros concentraram-se num estádio de Rustenburg em protesto pelo despedimento, ontem anunciado, de 12 mil mineiros pela empresa Anglo-American Platinum (Amplats). Um forte contingente policial, que inclui carros blindados e helicópteros a sobrevoarem a zona, foi destacado para o local.

A Amplats foi autorizada pelos tribunais a despedir coletivamente os 12 mil trabalhadores que paralisaram há várias semanas sem aviso prévio dos sindicatos reconhecidos pelo setor e pelo Ministério do Trabalho, e que reivindicavam aumentos salariais muito acima dos que foram propostos pela empresa.

Outras minas, de ouro e platina, estão paralisadas em diversos pontos das províncias de Gauteng e do Noroeste por greves consideradas ilegais, enquanto se acentuam os conflitos entre sindicatos rivais que operam no setor.

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