Assassino de Holly e Jessica vai passar mínimo de 40 anos na prisão

Ian Huntley, assassino das meninas Holly Wells e Jessica Chapman em 2002 em Soham (sul de Inglaterra), vai passar um mínimo de 40 anos na prisão, decidiu hoje um juiz do Tribunal Superior de Londres.

Agência LUSA /

Depois de emitir o seu veredicto, o magistrado Alan George Moses precisou que a sua decisão não significa que Huntley, de 31 anos, vá sair algum dia da prisão, como temem os pais das meninas, presentes hoje em tribunal.

O assassino tinha sido condenado a duas penas de prisão perpétua em Dezembro de 2003 no tribunal penal londrino de Old Bailey, mas teve que esperar até hoje para saber o período mínimo que ia permanecer encarcerado.

Moses, na altura juiz instrutor do "caso Soham", chegou a dizer durante o julgamento ao próprio Huntley: "Há poucos crimes piores do que o assassínio destas duas meninas".

Os pais de Holly, Kevin e Nicola Wells, e de Jessica, Leslie e Sharon Chapman, assistiram hoje à leitura do veredicto, juntamente com dois polícias envolvidos na investigação do crime que comoveu na altura o Reino Unido e teve repercussão internacional.

Num comunicado, as duas famílias manifestaram a esperança de que "Ian Huntley passe o resto da vida na prisão".

"Como pais, pode ser que não estejamos aqui dentro de 40 anos, mas os nossos filhos estarão. Eles, tal como nós, continuarão a sentir cada dia a dor pelo assassínio das suas irmãs. A dor não desaparece", acrescenta a nota.

Holly Wells e Jessica Chapamn, ambas de 10 anos de idade, desapareceram a 04 de Agosto de 2002 de Soham e os seus cadáveres foram encontrados 13 dias depois num bosque próximo da localidade, uma descoberta que horrorizou o país.

No julgamento de Old Bailey, Huntley, ex-contínuo da escola das meninas, admitiu ter matado Holly e Jessica na sua casa, embora tenha alegado que foi por acidente.

Durante o julgamento, soube-se que o assassino tinha sido acusado de violar e manter relações sexuais com menores no passado.

O antigo contínuo, encarcerado na prisão de Wakefiled (norte de Inglaterra), foi condenado juntamente com a sua noiva, Maxine Carr, presa durante três anos e meio por conspirar para obstruir a Justiça.

Carr, de 28 anos, e ex-professora das duas meninas, saiu da prisão em Maio de 2004 com uma nova identidade para evitar possíveis represálias.

O veredicto do juiz Moses surge no mesmo dia em que o corpo desmembrado de uma adolescente de 15 anos foi descoberto numa propriedade de Londres. A polícia prendeu um homem e uma mulher no âmbito do inquérito.

Os restos mortais de Rochelle Holness, dispersos em vários sacos de lixo deixados ao ar livre entre prédios, foram encontrados por acaso por condutores de ambulâncias.

Rochele saíra de casa domingo à noite para ir telefonar de uma cabine e desde então desconhecia-se o seu paradeiro.


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