Associação de Professores de Português dos EUA antecipa aumento do número de alunos

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A Associação de Professores de Português dos EUA (AOTP) antecipa um aumento do número de alunos matriculados em cursos de português nos Estados Unidos no próximo ano letivo, disse à Lusa o presidente Luís Gonçalves.

O interesse pela aprendizagem do português no país deverá aumentar "com certeza" devido à sua reclassificação como língua crítica, afirmou o professor, à margem do encerramento do VII Encontro Mundial sobre o Ensino de Português (EMEP), organizado pela AOTP, que decorreu na Universidade de Pittsburgh este fim de semana.

Segundo as estatísticas publicadas este ano pela Modern Language Association, em 2016 havia perto de dez mil alunos de português no ensino pós-secundário norte-americano.

Luís Gonçalves, professor de português na Universidade de Princeton, sublinhou que a expectativa é que haja "mais alunos nas aulas", o que provocará "a necessidade de mais professores e mais formação".

Espera-se também a disponibilização de mais recursos para o ensino do português, que nos Estados Unidos é procurado no contexto de projetos profissionais e como língua de herança.

"É um bom começo demonstrar aos administradores educativos que há interesse em português", disse Luís Gonçalves, referindo que "o sistema norte-americano vive à base de números".

No VII EMEP, que levou a Pittsburgh docentes vindos de Portugal, Brasil, Canadá, Polónia, Colômbia, Uruguai, Espanha, Bolívia e México, além de Estados Unidos, foram apresentados métodos pedagógicos inovadores para o ensino da língua portuguesa em várias vertentes. O professor e presidente da AOTP sublinhou que "a qualidade das apresentações tem aumentado consideravelmente" nos últimos anos e a tendência é para um "ensino colaborativo, cooperativo, baseado em projetos, que é o mais parecido com aquele das zonas de contacto linguístico".

Outra grande tendência é a utilização de tecnologias virtuais para "encurtar as distâncias" entre os países e permitir "intercâmbios virtuais baseados em práticas pedagógicas consistentes e comprovadas". O VII EMEP, que reuniu 140 pessoas, será seguido em outubro de um simpósio virtual sobre o português como língua de herança, dirigido aos professores em todo o mundo que trabalham para "manter o português nos filhos dos emigrantes".

Nos Estados Unidos, há sobretudo um "interesse específico" e "instrumental" baseado nas economias dos países lusófonos. "O aluno de português vem com um plano", disse Luís Gonçalves, exemplificando com engenheiros petrolíferos interessados em São Tomé e Príncipe, investigadores com destino à Amazónia ou profissionais de energias renováveis que querem ir para Portugal.

Embora o Brasil seja o país que dá maior impulso ao ensino de português, pelas oportunidades económicas que representa, Luís Gonçalves indicou que a instabilidade atual tem desviado alguns programas de intercâmbio e cursos de verão para Portugal, que "está com um perfil bastante elevado".

Estes programas geram efeitos benéficos "boca a boa", em que os alunos regressam aos EUA "mais interessados" pela cultura portuguesa e "pela diversidade que um retângulo tão pequeno tem e que é enorme".

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