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Ataque à central de Zaporizhzhia fez soar o alarme para um possível desastre nuclear

Ataque à central de Zaporizhzhia fez soar o alarme para um possível desastre nuclear

Após um intenso bombardeamento na madrugada desta-sexta feira, as tropas russas assumiram o controlo da maior central da Europa, Zaporizhzhia, na Ucrânia. Os bombardeamentos provocaram um incêndio num edifício administrativo da central, o que fez soar o alarme para um possível desastre nuclear. O pior dos cenários acabou por não se confirmar, com as autoridades ucranianas e a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) a garantirem que os seis reatores não foram afetados e que os níveis de radiação estão dentro da normalidade.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
Reuters

A Rússia assumiu o controlo da maior central nuclear da Europa, Zaporizhzhia, situada na Ucrânia, depois de esta ter sido atingida por um intenso bombardeamento na madrugada desta sexta-feira.

O ataque russo provocou um incêndio que lavrou durante várias horas num edifício administrativo da central nuclear de Zaporizhzhia. Os três pisos superiores ficaram destruídos. Por volta das 6h20 (4h20 em Lisboa), os bombeiros conseguiram extinguir o incêndio, apesar das dificuldades em aceder ao local, uma vez que a ofensiva russa não dava tréguas.


De imediato surgiram receios da libertação de radiações elevadas, com informações contraditórias provenientes de diferentes setores, o que fez soar os alarmes nas capitais mundiais.

Um funcionário do governo disse à Associated Press que elevados níveis de radiação estavam a ser detetados junto ao local da central, a qual é responsável por 25% da produção de energia do país. O executivo ucraniano alertou para as consequências de um desastre nuclear que poderia ser dez vezes pior que o de Chernobyl.

Mas o pior dos cenários acabou por não se confirmar. Autoridades ucranianas disseram na manhã desta sexta-feira que a instalação estava protegida e que “a segurança nuclear agora está garantida”.

A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) também afiançou que “nenhuma mudança foi registada nos níveis de radiação” da nona maior central do mundo,
com energia suficiente para cerca de quatro milhões de residências.

“É importante dizer que nenhum dos sistemas de segurança dos seis reatores da central foi afetado e que não houve libertação de material radioativo”, disse o diretor geral da AIEA, Rafael Grossi, em conferência de imprensa.
“O que é importante neste aspeto são os sistemas de monitorização da radiação, os sistemas que medem a radiação. Estão todos a funcionar”, afirmou. O responsável indicou ainda que duas pessoas ficaram feridas na sequência do incêndio da central, avançando que pertencem à segurança da central.

O regulador nuclear estatal da Ucrânia também garantiu que os reatores nucleares permanecem intactos e que não houve mudanças no 'status' de radiação, acrescentando que os seus especialistas estão em contacto com os engenheiros da central nuclear.

Os reatores permanecem intactos, há danos na construção do compartimento do reator da unidade de energia nº 1, o que não afeta a segurança do reator. Os sistemas e elementos importantes para a segurança da central nuclear estão a funcionar. Nenhuma mudança no estado de radiação foi registada no momento", refere o relatório do regulador.

Os EUA também disseram que as suas informações mais recentes não mostram nenhuma indicação de níveis elevados de radiação na central nuclear. A secretária de Energia dos EUA, Jennifer Granholm, disse que os reatores “estão protegidos por estruturas de contenção robustas e os reatores estão a ser desligados com segurança”.

Por precaução, só uma das unidades de energia nuclear está agora em funcionamento. Todas as outras foram desligadas do sistema principal.

Zaporizhzhia é a maior das quatro centrais nucleares da Ucrânia, que juntas fornecem cerca de metade da eletricidade do país. A central tem uma importância estratégica para a Rússia, uma vez que está localizada a apenas 200 quilómetros da Crimeia, que Moscovo anexou em 2014 e exige agora o seu reconhecimento formal.

Logo no início da ofensiva militar, as tropas russas passaram a controlar também a central nuclear de Chernobyl, no norte da Ucrânia. Chernobyl foi o palco do pior desastre nuclear do mundo, após a explosão do reator número 4, em abril de 1986.

c/agências
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