Ataque em Annecy. Duas das quatro crianças feridas "enfrentam risco de morte"

por Carla Quirino - RTP
Denis Balibouse - Reuters

Um dia após o ataque com uma faca contra seis pessoas na cidade alpina de Annecy, duas das quatro crianças feridas "enfrentam risco de morte". O presidente Emmanuel Macron deslocou-se esta sexta-feira a Grenoble, onde estão hospitalizadas. As razões do agressor, que passou a noite sob custódia policial, ainda não são claras. Um dos feridos, de 72 anos, é português.

"Pelo que sei, ainda há duas crianças que enfrentam risco de morte", declarou Olivier Véran, porta-voz do Governo francês, à rádio pública France Info, esta sexta-feira.

Seis pessoas, incluindo quatro crianças de 22 a 36 meses, foram feridas na manhã de quinta-feira num parque, junto às margens do Lago Annecy, por um homem sírio armado com uma faca.Um dos adultos feridos no ataque de Annecy é português. Foi identificado pela televisão pública francesa como Manuel, de 72 anos.


O chefe de Estado francês, Emmanuel Macron, e sua mulher, Brigitte, deslocaram-se entretanto a Grenoble para estar "ao lado das vítimas e famílias, bem como de todas as pessoas que em Annecy contribuíram para levar-lhes ajuda e apoio", segundo o Eliseu.
"Estado extremamente frágil"
Entre os feridos estão quatro crianças. As vítimas foram transferidas para Genebra e Grenoble, após os primeiros socorros no local.

Duas das quatro crianças feridas ainda estão em "emergência vital", confirmou Véran, que acrescentou que uma criança britânica de três anos e outra holandesa estão entre os feridos graves.

A meio da manhã, a primeira-ministra Elisabeth Borne sublinhou que "todas as vítimas puderam ser operadas, estão sob supervisão médica permanente e a sua condição é estável", embora haja situações graves.

Dois adultos também ficaram feridos, um deles em estado crítico.
Suspeito "cristão da Síria"
A polícia dominou e prendeu o homem armado. Está sob custódia das autoridades policiais e será submetido nas próximas horas a exame psiquiátrico.

A custódia do suspeito do esfaqueamento em Annecy foi prorrogada por um segundo período de 24 horas.


O suspeito, identificado como Abdalmasih H, com 31 anos, utilizou uma "faca dobrável tipo Opinel", vestia calções pretos e lenço azul atado à cabeça. Durante o ataque, registado em vídeo num telemóvel, o agressor levantava os braços e gritava em inglês in the name of Jesus (em nome de Jesus).

O homem usava um crucifixo e entre os pertences estava um livro de orações. Declarou-se um "cristão da Síria" quando pediu asilo.
A procuradora de Annecy, Line Bonnet-Mathis, alegou que "não parece haver nenhum tipo de motivação terrorista".

Há dez anos obteve o estatuto de refugiado na Suécia, onde se casou e tem uma filha de três anos com uma mulher sueca, de quem se separou no ano passado.

Desde o final de 2022, vive em França, onde pediu asilo, mas não tem morada fixa. A resposta ao pedido de asilo, que foi negativa, chegou-lhe no passado domingo, ou seja, dias antes do ataque no parque em Annecy, como sublinharam as autoridades francesas.

Uma mulher identificada como ex-esposa disse à BFM TV que o seu ex-companheiro era cristão.

"Ele não me liga há quatro meses. O nosso relacionamento acabou porque morávamos na Suécia e ele não queria continuar a morar cá", afirmou, citada na France 24. Acrescentou que Abdalmasih H nunca tinha demonstrado atitudes violentas.
"Herói da mochila"
Entretanto França elogia o "herói da mochila" que lutou contra atacante de Annecy. Chama-se Henri, tem 24 anos e é estudante de filosofia.
A rádio Europe 1 fez saber que Henri deverá encontrar-se com Emmanuel Macron ainda esta sexta-feira.

c/ agências
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