Ataque mortal em Londres associado a terrorismo

Um homem morreu e dois ficaram feridos na sequência de um ataque violento ocorrido esta quarta-feira, perto de um aquartelamento militar em Londres. Um indivíduo identificado como sendo um soldado foi morto na rua por outros dois, que foram depois atingidos a tiro pela polícia. As autoridades suspeitam que o caso esteja ligado ao terrorismo islâmico. O primeiro-ministro britânico ordenou uma reunião imediata do gabinete de crise, o comité que se ocupa de ameaças à segurança nacional.

RTP /
REUTERS/Stefan Wermuth

A polícia respondeu a uma chamada que relatava um alegado ataque à catanada em Woolwich no sudeste de Londres.

Ao chegarem ao local os agentes armados depararam com um cenário caótico: Um homem vestido com uma T-shirt de uma associação britânica de apoio aos deficientes das forças armadas jazia morto entre poças de sangue.

A polícia disparou sobre dois homens suspeitos de terem levado a cabo o ataque. Um deles foi ferido com gravidade e teve de ser levado de helicóptero para o hospital. O outro foi transportado numa das várias ambulâncias chamadas para assistir aos feridos.
Ataque pode ter sido filmado
No chão havia um grande número de armas, entre elas várias facas. O incidente decorreu em plena rua na presença de dezenas de pessoas e a polícia acredita que poderá ter sido mesmo filmado.

As testemunhas dizem que os dois homens atacaram selvaticamente um terceiro indivíduo, na casa dos vinte anos, a golpes de catana,  enquanto gritavam Allah-u-Akhbar (Deus é grande).

“Estes dois tipos estavam fora de si. Eram como animais. Arrastaram-no pelo pavimento, atiraram com o corpo para o meio da rua e deixaram-no lá”, disse uma testemunha ocular ouvida pela BBC.
"Queriam ser fotografados"

A mesma testemunha disse que depois do “horrendo” ataque os dois homens que também andariam na casa dos 20, permaneceram no local, agitando facas e uma pistola, e pediram às pessoas para lhes tirarem fotografias , “como se quisessem aparecer na televisão ou algo assim”.

“Não se importavam com mais nada, estavam apenas preocupados em ser fotografados, enquanto corriam de um lado para o outro da rua”, acrescentou.

Uma fonte oficial disse que o incidente está a ser tratado como um possível ataque de terrorismo islamita. As últimas informações dão conta da descoberta de um vídeo em aparece um dos alegados atacantes a tentar justificar as ações do duo.

A ministra do Interior, Theresa May, pediu entretanto ao Comissário da Polícia Metropolitana e ao chefe do MI5 (serviço de informações de segurança interna), para lhe fornecerem relatórios com as últimas informações.
Cameron convoca "comité cobra"
Em Bruxelas, onde se tinha deslocado para a reunião de líderes europeus, David Cameron classificou o incidente de “verdadeiramente chocante” e revelou ter ordenado à ministra do Interior, para convocar de imediato o “comité cobra”, composto por ministros e altos responsáveis da segurança que se ocupa nomalmente com ameaças terroristas.

Na sequência do incidente, o primeiro-ministro britânico decidiu encurtar a agenda da visita a Paris onde se tinha deslocado após a reunião na capital belga. 

Na conferência de imprensa conjunta que deu no Eliseu ao lado de François Hollande, David Cameron denunciou o que disse ser “um ato bárbaro” e “um ataque horroroso (…) manifestamente de origem terrorista”.

O primeiro-ministro inglês disse que uma nova reunião do comité de crise terá lugar amanhã em Londres. Depois de dirigir palavras de solidariedade para com os familiares da vítima, Cameron garantiu que a Grã-Bretanha “nunca cederá às ameaças” terroristas.

Já o presidente francês expressou a “total solidariedade da França para com a Grã-Bretanha na sequência do “cobarde assassínio de um soldado britânico” .

“Devemos de lutar contra o terrorismo em todo o lado, o que pressupõe trocar informações, trabalhar com os nossos respetivos serviços de informações e agir em toda a parte”, acrescentou François Hollande.



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