Ataques a cidades no Mali agravam instabilidade na região
Bamaco, 28 jan (Lusa) -- A região africana do Sahel está a atravessar uma fase de instabilidade agravada pelo impacto da crise líbia, o aumento do terrorismo e, mais recentemente, pelos ataques a cidades no norte do Mali por tuaregues autonomistas.
Na sexta-feira, combatentes tuaregues do Movimento Nacional de Libertação de Azawad (MNLA) disseram à agência noticiosa EFE que mataram 40 militares malianos em combates na cidade de Aguelhok, perto da fronteira com a Argélia.
Fonte das forças governamentais contactada pela Efe não confirmaram, nem desmentiram a informação, admitindo no entanto ter sofrido pesadas baixas.
Um comunicado do movimento azawadi (que defende a autonomia do norte do Mali) refere a morte de vários civis no bombardeamento a uma viatura em Aguelhok, que os rebeldes afirmam ter ocupado no passado dia 18 e que continua sob o seu controlo.
Em nota colocada na página do MNLA na internet lê-se que os tuaregues conseguiram controlar na sexta-feira a localidade de Anderaboukane, na província de Gao, no extremo leste do país e fronteiriça com o Níger, que os rebeldes consideram estratégica para a comunicação terrestre entre o Mali e o Níger.
Uma fonte do Ministério maliano da Educação referiu também na sexta-feira que os edifícios administrativos e estabelecimentos de ensino se encontram encerrados.
O mais recente comunicado do MNLA garante ainda ter lançado uma ofensiva contra a localidade de Léré, a mais de mil quilómetros a ocidente de Aguelhok e Anderaboukane e perto da fronteira com a Mauritânia.
A confirmar-se esta informação, são já cinco as localidades atacadas pelo MNLA no norte do Mali: Aguelhok, Anderaboukane, Léré, Menaka e Tessalit.
Na quinta-feira, o governo maliano informou que elementos da Al-Qaida do Magrebe Islâmico (AQMI), rebeldes do MNLA e outros assaltantes, que não identificou, atacaram a cidade de Aguelhoc, mas o exército mantém o controlo da localidade.
Esta foi a primeira vez que uma fonte oficial maliana relacionou o grupo terrorista AQMI com o MNLA, um movimento político-militar nascido nos finais de 2011 da fusão de grupos rebeldes tuaregues.
O grupo AQMI atua sobretudo no Mali, Mauritânia, Níger e Argélia, onde já raptou, sequestrou e matou turistas, incluindo ocidentais.
Na terça-feira, numa reunião em Nuakchott, o Mali, a Mauritânia, o Níger e a Argélia aprovaram um orçamento para a criação de uma estrutura comum de segurança, militar e serviços secretos.
"Adotámos um plano de ações para o futuro e também um orçamento de Unidade de Fusão e Ligação (UFL), um órgão operacional para as questões de segurança, militares e de informações. Para o orçamento, os quatro países participam com o mesmo montante", referiu o ministro dos Negócios Estrangeiros mauritano, sem quantificar.
A UFL agrupa os chefes dos serviços secretos dos quatro países, que em 2010 se dotaram de um Comité de Estado-Maior Operacional e Conjunto (CEMOC), com sede em Tamanrasset no extremo sul da Argélia.
Estas estruturas visam uma melhor coordenação das operações das forças armadas na luta antiterrorista e desenvolver operações conjuntas em cada um dos países abrangidos.
Já em novembro, os chefes das missões de paz da ONU na África Ocidental pediram apoio à comunidade internacional para a região do Sahel, que consideraram estar "em vias de deterioração".
Embora a região do Sahel seja uma faixa de terra situada a toda a largura do continente africano entre o deserto do Saara e as terras mais férteis a sul, também pode designar a zona ocidental de África, incluindo entre outros países o Mali, Mauritânia, Senegal, Níger e Nigéria.