Ataques com drones em campo de deslocados na Etiópia fazem pelo menos 14 mortos

Ataques com drones em campo de deslocados na Etiópia fazem pelo menos 14 mortos

Pelo menos 14 pessoas, incluindo crianças, foram mortas na quinta-feira em vários ataques com drones contra um campo de deslocados situado no norte da Etiópia, afirmaram hoje testemunhas à agência AFP.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Os drones tiveram como alvo o campo de deslocados de Hayq, localizado perto da cidade de Dessie, segundo as mesmas fontes.

"Ocorreram quatro ataques com drones, um após o outro. Enterrámos 14 pessoas no centro para deslocados. Outras duas morreram enquanto recebiam assistência médica", relatou uma das testemunhas, acrescentando que havia mulheres grávidas e crianças entre as vítimas.

Outros dois residentes no campo --- um dos quais afirmou ter enterrado vários corpos --- reportaram 14 a 15 mortos, incluindo várias crianças.

Os ataques ocorreram "no momento em que os alunos regressavam da escola", contou Ahmed (nome fictício), uma dessas testemunhas. "A minha cunhada foi morta, e nem sequer conseguimos encontrar o seu corpo, pois foi despedaçado".

Segundo a Organização Não-Governamental (ONG) ACLED, especializada na recolha e análise de dados sobre conflitos armados em todo o mundo, entre "16 a 23 pessoas foram mortas e um número desconhecido de pessoas ficou ferido".

A organização não forneceu detalhes sobre as vítimas, nem especificou se entre estas havia crianças.

Alguns deslocados no terreno indicaram que membros dos Fano --- milícias de autodefesa da etnia amhara que combatem as forças federais há mais de três anos --- estão "ativos nas áreas circundantes", destacou ainda a ACLED.

As forças de Adis Abeba realizaram vários ataques com drones em Amhara, a segunda região mais populosa da Etiópia, com mais de 20 milhões de habitantes, onde estão deslocadas cerca de meio milhão de pessoas, segundo dados divulgados em julho pelas Nações Unidas.

Questionado pela agência AFP, o porta-voz do exército federal etíope não respondeu.

Segundo testemunhas, as pessoas deslocadas são originárias de Oromia, região vizinha de Amhara e a mais populosa do país, onde o Exército de Libertação Oromo (OLA) --- classificado como "organização terrorista" por Adis Abeba --- trava uma luta armada contra as forças federais há mais de oito anos.

No final de setembro, os Fano e o OLA formaram uma aliança militar com vários outros grupos armados etíopes, incluindo a Frente de Libertação do Povo do Tigray (TPLF), com o objetivo de "derrubar" o Governo federal, liderado pelo primeiro-ministro Abiy Ahmed.

Após conquistas territoriais iniciais no norte do país, os Fano e as forças do TPLF tiveram de recuar, em consequência dos ataques do exército federal.

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