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Ataques israelitas em Gaza. Investigação revela bombas capazes de pulverizar corpos
Mais de 2.800 corpos de palestinianos foram "evaporados" em Gaza. Estas são as conclusões de uma investigação da Al Jazeera, publicada na terça-feira, que denuncia o alegado uso de armas térmicas e de vácuo de alto impacto por parte do exército de Israel.
“Segundo a investigação da Al Jazeera Arabic, intitulada ‘O Resto da História’, as equipas da Defesa Civil em Gaza documentaram o desaparecimento de 2842 palestinos desde o início da guerra em outubro de 2023”, conclui a cadeia de televisão, que acrescenta que os únicos vestígios destes corpos foram “salpicos de sangue ou pequenos fragmentos de carne”.
De acordo com a investigação, este fenómeno corresponde ao uso de armas proibidas internacionalmente, “frequentemente chamadas de bombas de vácuo ou de aerossol, capazes de gerar temperaturas superiores a 3500 graus Celsius”, e que provoca uma pressão capaz de levar à evaporação de fluídos corporais.
Esse aumento da temperatura, segundo a investigação, é provocado por tritonal, uma substância explosiva composta por 80% de TNT e 20% de pó de alumínio usada em bombas MK-84, utilizadas por Israel em vários ataques a Gaza. Outras bombas incluem a BLU-109, usado num ataque em Al-Mawasi, em setembro de 2024, que “evaporou” 22 pessoas.
Apesar dos desmentidos das autoridades israelitas, organizações como a Amnistia Internacional já documentaram o uso de algumas destas armas no enclave.
O porta-voz da Defesa Civil de Gaza, Mahmoud Basal, explicou à Al Jazeera que chegaram ao número total de desaparecidos (2842 pessoas) através do cruzamento entre o número de pessoas por casa e os corpos recuperados.
“Se uma família nos diz que havia cinco pessoas dentro da casa e só recuperamos três corpos intactos, consideramos os dois restantes como 'evaporados' somente após uma busca exaustiva que não revela nada além de vestígios biológicos — salpicos de sangue nas paredes ou pequenos fragmentos como couro cabeludo”, esclarece.
Um dos depoimentos relata o caso de um pai que perdeu quatro filhos e que apenas encontrou “areia preta” e restos mortais espalhados após um ataque em Gaza.
O antigo inspetor da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Yusri Abu Shadi, explicou que a combinação de calor extremo e alta pressão podem provocar a destruição de células humanas, algo semelhante ao utilizado pelo exército norte-americano no Iraque, durante as ofensivas de Fallujah, em 2004, que usaram fósforo branco contra civis.
O especialista militar russo, Vasily Fatigarov, esclarece que este tipo de armas “obliteram a matéria”, pois “dispersam uma nuvem de combustível que se inflama, criando uma enorme bola de fogo e um efeito de vácuo”.
“Para prolongar o tempo de combustão, adicionam-se pós de alumínio, magnésio e titânio à mistura química”, o que eleva “a temperatura da explosão para entre 2500 e 3000 graus Celsius”.
Desde a ofensiva israelita em Gaza, em outubro de 2023, já foram registados mais de 72 mil mortos, segundo o Ministério da Saúde do enclave, mais de 600 depois do cessar-fogo acordado em outubro.
De acordo com a investigação, este fenómeno corresponde ao uso de armas proibidas internacionalmente, “frequentemente chamadas de bombas de vácuo ou de aerossol, capazes de gerar temperaturas superiores a 3500 graus Celsius”, e que provoca uma pressão capaz de levar à evaporação de fluídos corporais.
Esse aumento da temperatura, segundo a investigação, é provocado por tritonal, uma substância explosiva composta por 80% de TNT e 20% de pó de alumínio usada em bombas MK-84, utilizadas por Israel em vários ataques a Gaza. Outras bombas incluem a BLU-109, usado num ataque em Al-Mawasi, em setembro de 2024, que “evaporou” 22 pessoas.
Apesar dos desmentidos das autoridades israelitas, organizações como a Amnistia Internacional já documentaram o uso de algumas destas armas no enclave.
O porta-voz da Defesa Civil de Gaza, Mahmoud Basal, explicou à Al Jazeera que chegaram ao número total de desaparecidos (2842 pessoas) através do cruzamento entre o número de pessoas por casa e os corpos recuperados.
“Se uma família nos diz que havia cinco pessoas dentro da casa e só recuperamos três corpos intactos, consideramos os dois restantes como 'evaporados' somente após uma busca exaustiva que não revela nada além de vestígios biológicos — salpicos de sangue nas paredes ou pequenos fragmentos como couro cabeludo”, esclarece.
Um dos depoimentos relata o caso de um pai que perdeu quatro filhos e que apenas encontrou “areia preta” e restos mortais espalhados após um ataque em Gaza.
O antigo inspetor da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Yusri Abu Shadi, explicou que a combinação de calor extremo e alta pressão podem provocar a destruição de células humanas, algo semelhante ao utilizado pelo exército norte-americano no Iraque, durante as ofensivas de Fallujah, em 2004, que usaram fósforo branco contra civis.
O especialista militar russo, Vasily Fatigarov, esclarece que este tipo de armas “obliteram a matéria”, pois “dispersam uma nuvem de combustível que se inflama, criando uma enorme bola de fogo e um efeito de vácuo”.
“Para prolongar o tempo de combustão, adicionam-se pós de alumínio, magnésio e titânio à mistura química”, o que eleva “a temperatura da explosão para entre 2500 e 3000 graus Celsius”.
Desde a ofensiva israelita em Gaza, em outubro de 2023, já foram registados mais de 72 mil mortos, segundo o Ministério da Saúde do enclave, mais de 600 depois do cessar-fogo acordado em outubro.