Ataques voltam a ser registados em cidades do interior de São Paulo
Ataques a prédios públicos e a uma igreja voltaram a ser registados hoje de madrugada em cidades do interior do Estado de São Paulo, mas sem causar feridos nem vítimas mortais, disseram fontes oficiais.
Na capital São Paulo autocarros, comboios e metropolitano estão a funcionar normalmente, segundo informações da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), entidade responsável pela administração do trânsito.
Na cidade de Miguelópolis, a 460 quilómetros de São Paulo, ataques atribuídos ao grupo criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC) tiveram como alvo o prédio da autarquia.
Um grupo de criminosos lançou uma bomba de fabrico caseiro, através de uma janela da autarquia, para em seguida atacar também uma igreja nas proximidades.
Nos dois locais, houve um princípio de incêndio rapidamente controlado pelas autoridades.
Na cidade de Hortolândia, a 105 quilómetros de São Paulo, indivíduos dispararam tiros contra uma esquadra policial, incendiaram um autocarro e uma agência bancária. Foram registados igualmente ataques nas cidades de Sumaré e Piracicaba.
Desde domingo, já foram registados mais de 78 ataques contra edifícios públicos e privados, que resultaram em duas vítimas mortais, cinco feridos e 12 suspeitos detidos, segundo o último balanço oficial.
Os ataques, registados em mais de 18 cidades do interior do Estado de São Paulo e também na capital, atingiram 37 agências bancárias, cinco viaturas e quatro esquadras policiais.
A Secretaria de Segurança Pública informou ainda que 22 autocarros, 17 em cidades do interior e cinco na capital, foram incendiados e 12 postos de gasolinas foram atacadas por supostos elementos do PCC.
Num dos piores ataques, uma bomba de fabrico caseiro explodiu na entrada da sede do Ministério Público do Estado de São Paulo, destruindo a frente do edifício e até as janelas dos prédios vizinhos.
O secretário da Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho, disse que esta terceira onda de ataques pode ter sido causada pela prisão no domingo de um dos líderes do PCC.
Rodrigo de Brito Ubaldo, que foi detido na cidade de Praia Grande, no litoral do Estado de São Paulo, teria confessado a participação em assassínios de polícias e em ataques contra as forças de segurança este ano.
Na primeira onda de ataques, entre 12 a 19 de Maio, as acções do PCC tiveram como alvo sobretudo polícias, esquadras, viaturas e elementos do Corpo de Bombeiros. Mais de 170 pessoas morreram nessa altura.
Na segunda onda de ataques, entre 12 a 15 de Julho, foram registados 174 ataques contra alvos civis, como edifícios públicos e particulares, agências bancárias, lojas e autocarros.
Os ataques de Julho causaram dez vítimas mortais, entre as quais, três polícias, três vigilantes particulares, um civil e três suspeitos, além de 58 detidos e 10 feridos.