Atentado à bomba atinge maior aeroporto de Moscovo

A detonação de um engenho explosivo no aeroporto moscovita de Domodedovo provocou esta segunda-feira entre 29 a 35 vítimas mortais, segundo balanços divergentes. As autoridades, que apontam para um atentado cometido por um bombista suicida, reforçaram as medidas de vigilância no metropolitano e nas demais infraestruturas aeroportuárias da capital russa. O Kremlin promete dar caça aos autores da "ação terrorista".

RTP /
Construído em 1964, o aeroporto de Domodedovo é a maior das três infraestruturas que gerem o tráfego aéreo na capital russa Yuri Kochetkov, EPA

A explosão teve lugar às 16h32 (13h32 em Lisboa) na secção de chegadas internacionais do aeroporto de Domodedovo, a infraestrutura que gere a maior parte do tráfego aéreo que passa pela capital russa. Fontes da polícia, citadas pelas agências russas, revelaram que se tratou de um atentado suicida. O autor do ataque, disse uma das fontes ouvidas pela agência RIA Novosti, terá acionado a carga explosiva que transportava depois de se posicionar no meio da “multidão que aguardava os viajantes”. Pouco depois da detonação, começavam a aparecer na Internet os primeiros vídeos a mostrar a atuação das equipas de socorro.

“Esta é a hora em que o aeroporto se encontra mais movimentado. Milhares de pessoas estão a cruzar este enorme prédio. O aeroporto é grande. É o aeroporto para onde a TAP opera os seus voos. Muitas ambulâncias foram já postas em disponibilidade pelos serviços de saúde para evacuar as pessoas”, relatava ao início da tarde o correspondente da RTP em Moscovo, Evgueni Mouravitch, que deu conta de indicações díspares: “Segundo algumas informações, a bomba foi colocada numa mala. Outras dizem que a explosão ocorreu num restaurante na área de espera”.

Números avançados durante a tarde por uma porta-voz do aeroporto apontam para 35 mortos e 46 feridos. Um balanço que diverge dos dados difundidos pelo Ministério da Saúde da Rússia, segundo os quais terão morrido 29 pessoas. Já o Ministério das Situações de Emergência refere 31 vítimas mortais e 152 feridos, dos quais 58 foram hospitalizados. Entre os feridos há vários cidadãos estrangeiros. Pelo menos um cidadão britânico perdeu a vida no atentado.

O ataque ainda não foi reivindicado. Todavia, as suspeitas das autoridades recaem sobre os grupos de rebeldes islamitas que combatem as tropas russas em repúblicas do Cáucaso do Norte como a Chechénia, a Inguchétia ou o Daguestão.

“Choramos as vítimas”

A primeira reação do Kremlin surgiu duas horas após a explosão. Por ordem do Presidente russo, as autoridades estão a implementar um “regime especial de segurança”, reforçando a vigilância em Moscovo e nas principais cidades do país. Na capital, a presença da polícia é agora mais visível nos transportes públicos, sobretudo no metropolitano.

Dmitri Medvedev, que já adiou a sua deslocação ao Fórum Económico Mundial de Davos, na Suíça, recorreu ao Twitter para prometer “perseguir e castigar os organizadores” do atentado desta segunda-feira. “Choramos as vítimas do ataque terrorista no aeroporto de Domodedovo”, escreveu.

Enquanto as autoridades russas dão início às investigações, multiplicam-se as reações das capitais internacionais. Entre as quais Berlim. A chanceler alemã, Angela Merkel, condenou o atentado à bomba, descrevendo os acontecimentos de Moscovo como um “horror”. Em Paris, o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, repudiou também o ataque “odioso” perpetrado no aeroporto de Domodedovo. O Eliseu fez chegar às “autoridades da Federação da Rússia a inteira solidariedade da França”. Por sua vez, o secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, manifestou-se “chocado” com o ataque, referindo-se ao terrorismo como “uma ameaça comum” que deve ser enfrentada com “união”.

Voo da TAP sem problemas
Segundo o porta-voz da TAP André Soares, ouvido pela Antena 1, o voo que se dirigiu esta segunda-feira de Lisboa para Moscovo decorreu sem notícia de problemas. O aparelho da transportadora portuguesa chegou ao aeroporto de Domodedovo cerca das 17h30.

“O voo devia aterrar cerca das 14h30 no aeroporto de Domodedovo, em Moscovo. Aterrou um pouco depois. De qualquer modo, é de realçar que, no momento em que se verificou o atentado, o voo da TAP estava ainda no ar, portanto ainda não tinha aterrado. Pelo que, de acordo com todas as informações que temos, não terá havido qualquer envolvido no atentado, nenhuma vítima que estivesse de alguma forma relacionada com a TAP”, explicou o porta-voz.

Em declarações à agência Lusa, uma fonte da Secretaria de Estado das Comunidades afirmou, entretanto, que "tudo indica que não haja portugueses entre as vítimas" do atentado: "O Governo português está a aguardar informações oficiais das entidades russas sobre a nacionalidade das vítimas. Em princípio, só amanhã será dada a lista oficial dos mortos e feridos".
 
"Havia 14 passageiros [portugueses] para embarcar na TAP, 12 dos quais embarcaram. Os outros dois não terão sequer chegado a Moscovo e, provavelmente, desistiram de viajar", adiantou a mesma fonte.
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