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Atentado contra base russa na Síria mata "dezenas" de oficiais russos

Atentado contra base russa na Síria mata "dezenas" de oficiais russos

"Dezenas" de generais russos morreram ou ficaram feridos domingo à tarde, num atentado contra a base onde se encontravam perto da cidade síria de Latakia, afirmou a oposição síria, esta quarta-feira.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Caças russos sobrevoam Latakia a 28 de janeiro de 2016 Omar Sanadiki - Reuters

A notícia foi publicada pelo jornal Jerusalem Post. De acordo com o jornal, o atentado com carro bomba foi realizado por duas fações da oposição consideradas moderadas, o Ahrar al-Sham e o movimento Bayan.

O Jerusalem Post refere informações veiculadas pelo gabinete de imprensa do Ahrar al-Sham, segundo o qual as duas fações se coordenaram com jihadistas locais infiltrados na base russa.

Os envolvidos decidiram fazer detonar o carro armadilhado quando souberam que domingo estava prevista uma reunião de altas patentes russas na base militar.

O Ahrar al-Sham refere que "dezenas de generais russos" foram mortos ou ficaram feridos na explosão. O anúncio do atentado terá sido adiado até esta quarta-feira para dar aos jihadistas envolvidos tempo de regressarem sãos e salvos aos territórios da oposição.

O Jerusalem Post publicou ainda um breve vídeo alegadamente da explosão na base.


Vídeo: Jerusalem Post

A base militar onde se terá dado o atentado é um dos mais importantes centros de forças russas na costa síria e fica a cerca de 15 quilómetros de Latakia.

Moscovo não reagiu ainda à notícia, que surge dois dias antes da entrada em vigor de um acordo de cessar-fogo anunciado pela Rússia e pelos Estados Unidos precisamente domingo à  noite e já aceite pelo Governo sírio e parte da oposição.

O acordo terá de ser assinado pelas partes até às 12h00 de sexta-feira, 26, para entrar em vigor às 00h00 de dia 27.

A ser verdadeira a informação veiculada pelo Ahrar al-Sham, o impacto do atentado na estratégia russa na Síria deverá ser significativo.

Moscovo e EUA decidiram que o cessar-fogo não se aplica aos grupos terroristas Estado Islâmico e Frente al-Nusra. O Ahrar al-Sham poderá agora também ser excluído do acordo.
Oposição síria reticente
O principal grupo de opositores sírios, o HNC, disse esta quarta-feira que ainda não aceitou o plano que suspende as hostilidades na Síria, referindo duvidar que o acordo evite que a Rússia bombardeie as suas posições.

"Não houve consulta aos sírios. Serão as observações, adições ou emendas pedidas pelos sírios tidas em conta?" perguntou esta quarta-feita o principal negociador do HNC, Mohamad Alloush, no canal de televisão Orient TV, pró-oposição, sublinhando que o conselho da oposição ainda não tomou qualquer decisão.

A Frente al-Nusra, considerada a al-Qaida na Síria, está posicionada extensivamente nas áreas dos grupos da oposição e isso poderá ser usado como pretexto pela Rússia para bombardear as posições dos rebeldes, lembrou Alloush.

"Como pode a Rússia dar garantias quando é parte do problema," interrogou-se o chefe negocial do HNC que lidera também a ala política do grupo Jaish al-Islam, considerado terrorista pelo Governo sírio.
Bombardeamentos diminuíram
O ministério da Defesa da Rússia refere que, na preparação do cessar-fogo, a aviação russa diminuiu significativamente a intensidade dos seus bombardeamentos.

De acordo com o porta-voz do ministério, Igor Konashenkov, em declarações transmitidas pela televisão, a aviação russa "parou de bombardear as áreas na Síria onde as autoridades locais e os grupos armados já apresentaram ou se preparam para apresentar declarações de aceitação de um cessar-fogo para iniciar conversações de reconciliação".

Konashenkov afirmou que Moscovo ainda está à espera de uma resposta de Washington, um dia depois do adido militar norte-americano na Rússia ter recebido os detalhes de uma linha de comunicações estabelecida com os Estados Unidos para ajudar a coordenar ações militares sob o cessar-fogo.

A artilharia turca tem continuado a bombardear localidades sírias perto da fronteira turca, acrescentou o porta-voz russo.
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