Atentados contra Israel

A mulher de um diplomata israelita e o seu motorista ficaram feridos na explosão de um carro-bomba em Nova Deli. Um segundo veículo armadilhado foi detetado e neutralizado em Tbilissi, capital da Geórgia, também junto à representação diplomática israelita. O primeiro ministro israelita já atribuiu os atentados ao Irão e à guerrilha libanesa do Hezbollah. Mas o responsável diplomata iraniano na Índia rejeita a acusação, que classifica de "pura mentira"

RTP /
O carro que explodiu em Nova Deli, fotografado por Joji Philip Thomas, jornalista do The Economic Times twitter.com/jojiphilip

“Houve incidentes que visaram o pessoal das embaixadas de Nova Deli e de Tbilissi”, confirmou à Agência France Press (AFP) um porta-voz do ministério israelita. Yigal Palmor não revelou a identidade da mulher atingida nem a gravidade dos ferimentos, dizendo tratar-se de informação confidencial por questões de segurança.

“Estamos a investigar o atentado e a cooperação com as forças de segurança locais é excelente” referiu, a partir de Israel. “Os feridos estão no hospital, a receber tratamento”, acrescentou.

O autor das fotografias aqui publicadas, um jornalista que trabalha para um diário indiano, assistiu à explosão e relatou o que viu, a partir da sua conta no Twitter.

Joji Philip Thomas diz que a mulher foi projetada para fora do carro, a cerca de dois metros e que, apesar queimada, ainda foi capaz de dar instruções a quem a socorreu. Segundo Joji Philip Thomas, ela estará agora internada em estado crítico.

Além da mulher, que terá 42 anos e é casada com um diplomata israelita, ficou ferido o motorista do carro armadilhado, uma mini van. A explosão deu-se ao fim da tarde numa rua perto da embaixada, de acordo com responsáveis indianos em Nova Deli.

A polícia indiana estará à procura de um motociclista, já que testemunhas afirmam ter visto um ou dois homens que passaram de mota e prenderam um engenho ao veículo do corpo diplomático israelita, pouco antes da explosão. Uma terceira pessoa terá sido atingida no atentado, acrescenta a polícia de Nova Deli.
Atentado frustrado
Quase ao mesmo tempo da explosão na Índia, as autoridades da Geórgia  anunciaram que o motorista de um veículo adstrito à embaixada israelita se tinha apercebido de um pacote preso à parte de baixo do veículo, tendo então chamado a polícia. O engenho explosivo foi depois neutralizado.

Segundo o porta-voz do ministério georgiano do Interior, o pacote preso ao carro continha uma granada. Quando o dispositivo foi descoberto, o veículo encontrava-se num parque de estacionamento a 200 metros da embaixada, onde o motorista o tinha estacionado após vir para o trabalho, esta manhã.

A embaixada israelita em Tbilissi recusou comentar o incidente.
Irão e Hezbollah acusados
Os atentados não foram reivindicados mas o primeiro ministro israelita, Benjamin Netanyahu, responsabilizou pouco depois o Irão e a guerrilha do Hezbollah.

"O Irão, que está por detrás destes ataques, é o maior exportador de terrorismo do mundo", afirmou Netanyahu, perante os deputados do seu partido, o Likud, no Parlamento de Israel.

Em reação, o embaixador do Irão em Nova Deli rejeitou as acusações. "Qualquer ataque terrorista é condenado pelo Irão e nós rejeitamos com toda a veemência os comentários falsos" do primeiro ministro israelita, afirmou Mhedi Nabizadeh à agência iraniana IRNA.

"Estas acusações são falsas e absolutas mentiras, como outras vezes", acrescentou. A mesma frase foi repetida, quase palavra a palavra, pelo porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da República do Irão à televisão iraniana al-Aram, que acusou ainda Israel de fazer uma "guerra de propaganda".

O primeiro ministro israelita ligou os dois atentados desta segunda-feira aos atentados falhados do mês passado, no Azerbeijão e na Tailândia, atribuídos ao Irão e à guerrilha libanesa do Hezbollah, apoiada por Teerão.

As representações diplomáticas de Israel em todo o mundo reforçaram a vigilância nas últimas semanas, devido à aproximação do dia 12 de fevereiro. Foi nesse dia, em 2008, que foi assassinado em Damasco o líder militar da guerrilha do Hezbollah, Imad Moughniyeh. O Hezbollah culpa Israel pela morte de Moughniyeh e jurou vingança.

Israel acredita que Teerão esteja igualmente a planear represálias pelo assassínio, alegadamente a mando de Israel, de vários cientistas ligados ao programa nuclear iraniano, nos últimos quatro anos.
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