Atentados terroristas em Londres eram inevitáveis por falta de meios
Os serviços de informações britânicos não dispunham dos meios suficientes para evitar os atentados de 7 de Julho de 2005 em Londres, segundo o relatório parlamentar hoje divulgado.
De acordo com o documento, dois dos autores dos atentados eram já conhecidos dos serviços de segurança, mas não chegaram a ser objecto de um inquérito aprofundado, porque havia então "maiores prioridades".
"Se mais cedo tivessem sido disponibilizados mais recursos, as hipóteses de evitar os atentados teriam sido mais fortes", lê-se no documento.
O relatório também faz críticas ao sistema de segurança que define o nível de alerta nacional, o qual, de acordo com a investigação, "falhou por ser muito complicado, demasiado secreto e pouco transparente".
Na apresentação do documento, hoje de manhã, o deputado Paul Murphy considerou urgente que o governo tente "simplificar os procedimentos associados ao sistema de alerta, que nem as pessoas percebem, nem as próprias autoridades põem em prática".
Murphy, que liderou o trabalho da comissão pluripartidária, disse ser necessária "maior transparência das autoridades quando lidam com este tipo de informação, que é crucial para as pessoas viverem atentas e em segurança".
"Não esperamos que o governo divulgue relatórios dos serviços secretos a todo o momento, mas as mensagens de alerta têm de chegar ao público de uma forma muito mais clara e rápida", disse.
No geral, o deputado considerou que "a investigação permitiu concluir que têm de ser tiradas lições do que aconteceu o ano passado, sobretudo no que diz respeito ao perfil dos terroristas".
Em particular, explicou, "as autoridades têm de entender melhor o fenómeno de radicalização de cidadãos britânicos para poderem enfrentar o risco que está dentro das fronteiras" nacionais.
A prova de que este estudo não está a ser bem feito, avança o relatório, é que "os serviços secretos não consideravam que fosse um risco de grande probabilidade a existência de ataques suicidas dentro do território europeu".
O documento, até hoje secreto, também confirma que "não há nenhuma relação segura que se possa fazer entre os atentados do dia 07 e do dia 21 de Julho", mas as autoridades "têm dificuldade em seguir pistas para provar estas relações".
Outra acusação forte visa o "fraco" relacionamento entre as diversas forças de segurança que lidaram com o ataque terrorista.
"Os serviços secretos e a polícia têm de trabalhar melhor entre eles e ser proactivos na sua relação", lê-se.
Nas primeiras reacções ao relatório, o ministro-sombra do Partido Conservador para a Segurança, David Davis, referiu-se a este aspecto concreto, considerando-o "inevitável".
"Hoje em dia o trabalho de coordenar as autoridades de segurança é enorme e, como vimos pelos atentados, uma das tarefas mais importantes para o nosso país. No entanto, o governo só tem um ministro a fazer isto em `part-time` e por isso não nos podemos surpreender que não funcione", criticou o político.
Os atentados de 07 de Julho, levados a cabo por quatro jovens britânicos de origem paquistanesa e jamaicana, fizeram 52 mortos nos transportes públicos de Londres.
O relatório assinala que dois destes jovens tiveram, "provavelmente, contactos com membros da Al-Qaida", a rede terrorista liderada pelo saudita Usama bin Laden.