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Aumenta o discurso de ódio contra a comunidade LGBTI+ por parte dos políticos europeus

por Rachel Mestre Mesquita - RTP
Norbu Gyachung - Unsplash

Segundo o novo relatório do grupo de defesa ILGA-Europa, divulgado esta quinta-feira, a retórica transfóbica e anti-LGBTI está a aumentar entre os políticos europeus, o que suscita preocupações antes das eleições europeias de junho.

A 13 ª edição do relatório que analisa a situação dos Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Pessoas Trans e Intersexo na Europa e na Ásia Central, revela uma “clara acumulação de discursos de ódio” contra a comunidade LGBTI por parte de políticos em 32 países europeus, dos quais 19 Estados-membros da União Europeia, ao longo do último ano. Em Portugal, "o Chega, o partido político nacional conservador, populista e de direita, continuou a tentar bloquear as medidas legais para a igualdade das pessoas LGBTQIA+ e fez comentários hostis ao longo do ano", aponta o documento

De acordo com o relatório, a retórica transfóbica está a aumentar em países como a Croácia, a Irlanda, a Eslováquia, a Espanha e a Suécia, e foi detetada em debates parlamentares em Portugal, na Dinamarca, Finlândia e nos Países Baixos.

"Ouço declarações chocantes quando presido ao plenário (do Parlamento Europeu)” contou à Euronews, Marc Angel, vice-presidente do Parlamento Europeu e copresidente do grupo LGBTI, que admitiu ficar frequentemente “chocado” com a linguagem de ódio utilizada pelos políticos em Estrasburgo.
“Se os políticos usam este tipo de linguagem, é óbvio que as pessoas também a vão usar", afirmou Marc Angel.
O vice-presidente do Parlamento Europeu alerta para a existência de “um movimento anti-género, financiado pelo Kremlin e por outros atores” de que devemos ter consciência e devemos “contrariar a sua narrativa".

A poucos meses das eleições europeias em junho, em que se prevê que a extrema-direita ganhe terreno, Katrin Hugendubel, diretora de Advocacia da ILGA-Europa, adverte para um clima “mais polarizado e violento” durante as próximas eleições.

Em entrevista, à Euronews, Katrin Hugendubel explica que os “valores e normas fundamentais sobre os quais a UE foi fundada – o respeito pela dignidade humana e pelos direitos humanos, a liberdade, a democracia, a igualdade e o Estado de Direito - estão a ser postos em causa".

A porta-voz da ILGA-Europa responsabiliza as forças de extrema-direita pela exploração dos direitos humanos, particularmente dos direitos humanos das pessoas LGBTI, com o intuito de “dividir as sociedades, minar a democracia, o Estado de Direito e os Direitos Humanos”.
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