Auscultados seis países-membros. Europeus recetivos à adesão da Ucrânia à União Europeia

Os cidadãos da Dinamarca, Polónia, Alemanha, Roménia, França e Áustria estão, em geral, recetivos à ideia de a Ucrânia aderir à União Europeia, apesar dos riscos. Uma sondagem, realizada antes do Conselho Europeu desta semana, revela ainda uma atitude moderada em relação à adesão da Geórgia e de alguns Estados dos Balcãs Ocidentais. E a oposição à admissão da Turquia.

Cristina Sambado - RTP /
Thomas Peter- Reuters

Uma sondagem realizada pelo Conselho Europeu das Relações Externas (ECFR) junto de seis Estados-membros da União Europeia e divulgada esta terça-feira revela um apoio considerável à adesão da Ucrânia e, em menor disposição, da Moldávia e de Montenegro, mas também profundas preocupações económicas e de segurança.

No entanto, verificou-se uma oposição generalizada à eventual adesão da Turquia. E uma reação marcadamente fria em relação à possibilidade de a Albânia, Geórgia, Kosovo, Macedónia do Norte e Sérvia aderirem à União Europeia.

A sondagem revela que o apoio à entrada da Ucrânia é maior na Dinamarca (50 por cento) e na Polónia (47 por cento), com opiniões divididas entre a Roménia (32 por cento a favor e 29 por cento contra), a Alemanha (37 por cento a favor e 39 por cento contra) e a França (29 por cento a favor e 35 por cento contra). A Áustria opôs-se em 52 por cento.



Quarenta e cinco por cento dos 6.153 inquiridos receiam que a adesão da Ucrânia tenha um impacto negativo na segurança da União Europeia, contra 25 por cento que consideram que a segurança sairia reforçada. Já 39 por cento consideram que a entrada de Kiev afetaria negativamente a segurança do seu país. Isto apesar de a Comissão Europeia afirmar que adesão é necessária para proteger a segurança e manter controladas as ambições de Vladimir Putin.

Muitos dos inquiridos não veem qualquer vantagem económica na adesão da Ucrânia. Enquanto 43 por cento dos inquiridos na Polónia e 37 por cento na Roménia consideram que teria um impacto a União Europeia positivo na economia da União Europeia, na Dinamarca 54 por cento e 46 por cento na Áustria preveem um custo. O PIB per capita na Ucrânia é três vezes mais baixo que o da Bulgária, a economia mais pequena a União Europeia.

Há também receios quanto ao impacto do alargamento no poder político da União Europeia no mundo. A Polónia e a Dinamarca foram os países mais otimistas nessa matéria, com 43 e 35 por cento dos inquiridos a acreditarem que a adesão da Ucrânia teria um impacto positivo.

Contudo, na Áustria (42 por cento) e na Alemanha (32 por cento), a opinião mais prevalecente foi a de que a adesão da Ucrânia reduziria o poder político da União Europeia no mundo, enquanto os inquiridos em França e na Roménia se dividiram de forma mais equilibrada.

O ECFR identificou uma clara divisão entre os "antigos" e os "novos" Estados-membros da União Europeia no que respeita ao princípio geral do alargamento. Os inquiridos na Áustria (53 por cento), Alemanha (50 por cento) e França (44 por cento) são os que mais consideram que a UE não deve admitir novos membros.



Em contrapartida, na Roménia e na Polónia, 51 e 48 por cento dos inquiridos, respetivamente, consideram que a União Europeia deve alargar-se.

Entre os "mais antigos" Estados-membros, a Dinamarca foi pouco diferente, com apenas 37 por cento dos inquiridos a oporem-se a um alargamento imediato.

A sondagem revelou uma forte oposição à possibilidade de a Turquia aderir à União Europeia, com 51 por cento dos inquiridos nos seis países (Dinamarca, Polónia, Alemanha, Roménia, França e Áustria) a oporem-se à ideia e menos de um em cada cinco inquiridos a apoiar qualquer avanço na adesão da Turquia.

Os europeus inquiridos também se mostraram indiferentes à adesão da Albânia, da Bósnia e Herzegovina, do Kosovo, da Geórgia, da Moldávia, do Montenegro, da Macedónia do Norte e da Sérvia, com menos de 30 por cento de apoio conjunto à adesão dos oito países.

O apoio à adesão foi mais fraco no caso do Kosovo, com 20 por cento a dizer que deveria poder aderir e 37 por cento a dizer que não deveria, da Albânia (24 por cento a favor, 35 por cento contra), da Sérvia (25 por cento a favor, 35 por cento contra) e da Geórgia (25 por cento a favor, 31 por cento contra).

A Macedónia do Norte (26 por cento a favor, 27 por cento contra) e a Bósnia e Herzegovina (28 por cento a favor, 29 por cento contra) dividem mais as opiniões, enquanto a Moldávia (30 por cento a favor, 28 por cento contra) e o Montenegro (30 por cento contra 25 por cento) são apoiados na adesão à União Europeia.
À mesa do Conselho Europeu

A Comissão Europeia recomendou no passado mês o início de conversações formais de adesão com a Ucrânia e a Moldova. Os 27 chefes do Governo da União Europeia deverão discutir a proposta numa cimeira em Bruxelas esta semana.

No entanto, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, já manifestou firme oposição, ameaçando vetar a abertura de conversações com a Ucrânia e fazer descarrilar os planos da União Europeia para dar um impulso necessário às ambições de Kiev para a adesão.Dez países vizinhos da União Europeia são candidatos oficiais ou potenciais à adesão ao bloco de 27 países, incluindo sete dos Balcãs Ocidentais.

O alargamento da União Europeia, que esteve durante muito tempo suspenso, tornou-se uma prioridade desde que a Rússia lançou a guerra contra a Ucrânia em fevereiro de 2022. Em novembro, a Comissão Europeia apoiou também as negociações de adesão com a Bósnia-Herzegovina - assim que Sarajevo estiver pronta - e recomendou que fosse concedido à Geórgia o estatuto de país candidato.

Na segunda-feira, o ministro ucraniano dos Negócios Estrangeiros, Dmytro Kuleba, afirmou, em Bruxelas, que seria “devastador” para Kiev e para a União Europeia se a cimeira não apoiasse o início das negociações de adesão.
Duarte Valente, correspondente da RTP em Bruxelas

A Ucrânia considera ainda que está em jogo a credibilidade da União Europeia perante o mundo.
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