Austrália "arruma" disputa fronteiriça com mais dinheiro
A disputa fronteiriça entre a Austrália e Timor-Leste ainda não está resolvida, mas a questão está praticamente "arrumada", pelo menos nos próximos 50 anos, escrevem hoje os principais jornais australianos.
O diferendo, com efeitos sobre a titularidade das riquíssimas reservas minerais que jazem no mar de Timor, fica adiado até 2055 contra o pagamento de até 9,6 mil milhões de dólares, segundo o jornal The Australian.
Aquele valor representa quase o triplo do que foi oferecido no início das negociações em Abril de 2004 - 3,6 mil milhões de dólares - e será pago em 30 ou 40 anos, que correspondem ao período de viabilidade comercial dos poços de petróleo e gás natural abrangidos pelo acordo.
Outros títulos da imprensa escrita australiana, como The Age, escrevem que este acordo de princípio, negociado pelas delegações técnicas dos dois países, irá agora ser passado a escrito para ser assinado pelos dois governos, um processo que poderá demorar ainda algumas semanas.
O anúncio do acordo obtido coincidiu com a primeira visita de Estado do presidente Xanana Gusmão à Austrália, iniciada no passado dia 03.
Alcançado este acordo, Timor-Leste vira-se agora para a empresa petrolífera australiana Woodside, que lidera o consórcio que explora o Greater Sunrise e outros poços, para tentar que a fábrica de processamento dos recursos minerais seja edificada em solo timorense e não no Norte da Austrália, em Darwin.
O chefe da diplomacia de Timor-Leste, José Ramos Horta, afirmou há dias que Díli pretende um estudo independente que avalie as implicações económicas de a fábrica ser construída em solo timorense ou na Austrália.
A Woodside tem repetidamente afirmado que é economicamente inviável dirigir as condutas de gás natural para Timor-Leste, argumentando com a profundidade que o mar de Timor apresenta desse lado, posição que fundamenta com o estudo que afirma já ter efectuado.
Don Voelte, membro do conselho de administração e responsável executivo da Woodside, deslocou-se quinta-feira a Díli, acompanhado de mais três quadros da empresa, para uma reunião de trabalho com o primeiro-ministro de Timor-Leste, Mari Alkatiri, mas não se registaram alterações ao projecto inicial de construção da fábrica em Darwin, norte da Austrália.